A Braskem (BRKM3; BRKM5) entra em uma nova fase com a IG4 assumindo o controle acionário da companhia após a conclusão da compra da participação da Novonor. O BTG Pactual avalia a transição em relatório assinado pelos analistas Rodrigo Almeida e Gustavo Cunha, que mantêm recomendação neutra e preço-alvo de R$ 9.
A IG4, por meio do Shine I Fund, passa a deter 50,1% das ações com direito a voto e 34,3% do capital total da Braskem. A Petrobras (PETR3; PETR4) mantém 47% dos votos e 36,1% do total. A Novonor, antiga controladora, fica com apenas 4% do capital.
O novo acordo de acionistas divide as responsabilidades: a IG4 cuida da estratégia e das finanças, enquanto a Petrobras responde pela gestão operacional. A assembleia geral extraordinária desta segunda-feira (8) elegerá o novo conselho de administração, que em seguida escolherá a nova diretoria executiva.
“A IG4 pode ajudar a Braskem a navegar melhor o cenário atual de liquidez restrita — no entanto, no curto prazo, o foco deve ser mais na liquidez financeira do que no turnaround de longo prazo”, avaliam Almeida e Cunha.
Recuperação extrajudicial pode vir antes do fim de junho
A Braskem deve protocolar pedido de recuperação extrajudicial nas próximas semanas, antes do pagamento de cupons de bonds em julho, segundo noticiário recente. O objetivo seria alongar prazos de pagamento da dívida sem haircuts ou conversão em equity.
“A alta nos preços da nafta nas últimas semanas teve impacto relevante no capital de giro e na geração de caixa — os prazos de pagamento a fornecedores são quatro vezes mais curtos do que os prazos de recebimento de clientes, o que exige mais capital de giro em um ambiente de feedstock mais caro”, explicam os analistas.
A empresa encerrou o primeiro trimestre de 2026 com caixa de US$ 1,1 bilhão, nível que pode ter caído ao longo do segundo trimestre — abaixo do piso mínimo operacional estimado entre US$ 800 milhões e US$ 1,2 bilhão.

Aumento de capital é improvável
A Braskem não deve receber injeção de capital no curto prazo. “Uma injeção de capital é improvável no momento — a Petrobras não pode elevar sua participação acima de 50% sem incorporar a dívida ao balanço, e a IG4 parece mais focada em otimizações operacionais do que em uma injeção de equity”, destacam Almeida e Cunha.
Contudo, o BTG alerta que a necessidade de linhas de crédito adicionais para financiar as operações nos próximos meses permanece como risco a monitorar.
Petrobras negocia manutenção da participação na Braskem Idesa
A Petrobras tem desempenhado papel fundamental no processo de reestruturação da Braskem, inclusive nas operações mexicanas.
“A Petrobras tem negociado para manter a participação de 75% da Braskem na Braskem Idesa mesmo em um eventual processo de reestruturação das operações no México”, informam os analistas.
A Braskem segue com recomendação neutra do BTG, com preço-alvo de R$ 9 para o final de 2026.
“Mantemos nossa recomendação neutra para a Braskem — a companhia continua caminhando em uma linha tênue e o perfil de risco-retorno das ações segue pouco atraente”, concluem Almeida e Cunha.
Entretanto, o banco reconhece como positivo que não há perspectiva de diluição imediata, já que a recuperação extrajudicial não prevê conversão de dívida em ações.
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