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Bradsaúde estreia e expõe fragilidade no braço odontológico

Bradsaúde estreia e expõe fragilidade no braço odontológico

A estreia da Bradsaúde como ecossistema integrado de saúde no primeiro trimestre de 2026 evidenciou um contraste relevante

A estreia da Bradsaúde (SAUD3) como ecossistema integrado de saúde no primeiro trimestre de 2026 evidenciou um contraste relevante entre suas operações: enquanto a Bradesco Saúde impulsionou os resultados com forte expansão de lucro e melhora operacional, o negócio odontológico decepcionou, pressionado por um salto nas despesas administrativas. Os dados estão em relatório do banco Safra.

O lucro líquido consolidado somou R$ 1,308 bilhão no período, com ROAE anualizado de 24,8%. No entanto, a composição do resultado revela forte concentração: 83% vieram da Bradesco Saúde, enquanto a Odontoprev respondeu por apenas 11%, após registrar queda de 9% no lucro na comparação anual.

Pressão no odontológico

Segundo o Safra, o principal ponto de atenção foi o desempenho da Odontoprev, que, apesar de apresentar melhora relevante na sinistralidade, viu esse ganho ser mais do que compensado por despesas SG&A acima do esperado. Os custos, impulsionados por serviços de terceiros e provisões para inadimplência, refletiram em parte efeitos não recorrentes ligados à integração com a Bradsaúde.

O Ebitda da operação caiu 8% na comparação anual, com retração de margem, evidenciando perda de eficiência no curto prazo. Ainda assim, a companhia apresentou crescimento na base de beneficiários, com destaque para o segmento de pequenas e médias empresas, reforçando uma mudança estrutural no mix de clientes.

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Em contrapartida, a Bradesco Saúde confirmou seu papel como principal motor de resultados. O lucro líquido avançou 33,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando R$ 1,22 bilhão, sustentado pelo crescimento dos prêmios e pela melhora de 140 pontos-base no índice de sinistralidade.

A base de beneficiários também evoluiu, com adição líquida de 52 mil vidas no trimestre, puxada principalmente pelo segmento corporativo. O desempenho operacional reforça a resiliência do negócio, mesmo em um ambiente ainda desafiador para custos médicos.

No consolidado, as receitas de operações de saúde atingiram R$ 13,278 bilhões, com margem operacional de 9,9%, refletindo uma combinação de expansão de receitas e controle de sinistros, ainda que parcialmente pressionada por despesas administrativas.

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Expansão hospitalar

A Atlântica Hospitais, por sua vez, segue em estágio inicial de desenvolvimento e teve impacto marginal no resultado, contribuindo com apenas 1% do lucro consolidado. Ainda assim, a operação avançou em sua estratégia de expansão, com a inauguração de duas unidades que adicionaram 510 leitos no trimestre, conforme avaliou o relatório.

O plano de crescimento inclui novos projetos até 2029, totalizando quase 4 mil leitos, o que reforça a aposta da companhia na verticalização do atendimento. No entanto, a maturação desses ativos ainda deve levar alguns anos, limitando sua contribuição financeira no curto prazo.