O Bradesco (BBDC4) sinalizou uma mudança de estratégia no segmento de baixa renda, passando de uma postura defensiva para monetização, alavancando uma base de clientes agora amplamente digitalizada.
O banco ressaltou, durante o CEO Conference do BTG Pactual nesta semana, que embora exista potencial de upside, o reconhecimento dependerá de entrega consistente e ambiente macro mais favorável.
Corte de custos
O Bradesco também adotou um tom mais construtivo sobre sua transformação operacional plurianual. O banco sinalizou que os anos de 2025 e 2026 representam a fase de inflexão em que os esforços de reestruturação começam a se traduzir mais claramente em resultados, com foco em melhoria sequencial trimestre a trimestre nos lucros.
O BTG Pactual destacou que “a administração foi explícita que cortes de custos serão um motor-chave de eficiência em 2026, após a antecipação de provisões de reestruturação”. O banco reconheceu que as despesas operacionais podem permanecer pressionadas no curto prazo antes que os ganhos de eficiência se tornem mais visíveis.
A mensagem central foi de execução passo a passo, com foco claro em melhoria sequencial/trimestral dos lucros. A administração afirmou abertamente que o guidance é realista, mas será desafiador, sinalizando conforto em operar no centro da orientação ou acima, desde que a execução permaneça no caminho certo.
Potencial de surpresa
Segundo o relatório do BTG, “o guidance de receita foi descrito como a principal fonte de potencial upside, apoiado por forte tração em crédito consignado privado, financiamento de veículos, consórcio e tarifas de serviços”. O crescimento de crédito deve acelerar moderadamente, liderado por consignado (privado e público), veículos e empréstimos rurais oportunistas, com seleção disciplinada de risco.
O BTG Pactual mantém recomendação Neutra para o Bradesco, considerando-o a segunda escolha entre os incumbentes, “com a virada operacional ganhando tração, embora com perspectiva mais conservadora de receitas refletindo pressão transitória”.






