Para entender o conflito, é preciso entender o país. Com essa premissa, Jim Reid, chefe global de macro do Deutsche Bank, compilou dez fatos sobre o Irã que colocam em perspectiva as implicações econômicas e geopolíticas da guerra em curso — e o quadro que emerge é o de uma nação frágil internamente, mas com poder de disrupção global desproporcional ao seu tamanho econômico.
O bloqueio do Estreito de Ormuz, por exemplo, já produz efeitos concretos.
“A interrupção no tráfego marítimo está gerando pressão séria sobre a capacidade de armazenamento de petróleo nos países do Oriente Médio”, alerta Jim Reid, chefe global de macro do Deutsche Bank.
Seguros e logística de escolta podem levar mais dez dias para se normalizar — além da capacidade de cinco a seis dias dos grandes produtores do Golfo.
O Iraque já cortou mais da metade de sua produção por restrições de estoque. “Esses cortes representam cerca de 1% da produção global e levantam preocupações imediatas sobre qual país pode ser o próximo”, aponta Reid.
Por que entender o Irã importa agora
Para contextualizar o conflito, Reid compilou dez fatos sobre o país — com a ressalva de que “dados sobre o Irã são frequentemente não confiáveis e variam consideravelmente entre as fontes.”
O retrato que emerge é o de uma nação com poder de disrupção global desproporcional à sua fragilidade interna.
1 – Tamanho: O Irã tem a 17ª maior população do mundo (91,5 milhões). É o país xiita mais populoso do planeta.
2 – Estreito de Ormuz: Cerca de 25% do comércio marítimo global de petróleo e 20% do GNL passam por essa rota.
3 – Reservas de petróleo: O Irã possui a terceira maior reserva provada de petróleo do mundo, atrás apenas de Venezuela e Arábia Saudita.
4 – Pobreza: Cerca de um terço da população iraniana vive em pobreza (menos de US $8,30 por dia, segundo o Banco Mundial).
5 – Emprego: Apenas 38% dos iranianos estão empregados — e somente 12% das mulheres. O capital humano foi corroído por décadas de fuga de cérebros para países ocidentais. O Irã também é um dos maiores receptores de refugiados do mundo, especialmente do Afeganistão.
6 – Inflação: Nos primeiros cinco meses do ano fiscal 2025/26, a inflação foi de 40% ao ano, impulsionada principalmente por alimentos e moradia.
7 – Bancos: Mais de 70% dos bancos iranianos não atendem aos requisitos de adequação de capital e quase metade tem índice negativo.
8 – Concentração comercial: Os três principais parceiros comerciais do Irã respondem por 60% das exportações não-petrolíferas e 70% das importações.
9 – PIB: Antes dos ataques americanos, o PIB já estava projetado para contrair 2,3% ao ano, impactado por sanções da ONU e queda da demanda chinesa por petróleo iraniano.
10 – Demanda chinesa: 11% das importações de petróleo bruto e condensado da China vêm do Irã.






