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Ambev negocia com prêmio injustificado, diz BofA

Ambev negocia com prêmio injustificado, diz BofA

Valuation é injustificado dado o maior custo de capital da Ambev, o balanço ineficiente e perspectivas de lucros mais fracas

As ações da Ambev (ABEV3) vivem um dos melhores momentos dos últimos anos. Com alta de 15% em dólares no acumulado de 2026, a cervejaria brasileira lidera o desempenho entre as empresas de bebidas na América Latina. Mas o Bank of America faz um alerta: o rali foi impulsionado por fluxos e rotação global, não por melhora de fundamentos, e o valuation chegou a um patamar difícil de sustentar.

O ponto mais revelador da análise do banco é a comparação com os pares globais.

“A Ambev negocia a 16,5 vezes o preço sobre o lucro (P/E) de 2026, com desconto de apenas 5% frente à AB InBev, versus média histórica de 28%”, aponta o BofA.

Além disso, a ação opera com prêmio de 6% sobre a Heineken e em linha com a Carlsberg — duas cervejarias globais com custo de capital menor, balanço mais eficiente e perspectivas de crescimento mais robustas.

“Em nossa visão, esse valuation é injustificado dado o maior custo de capital da Ambev, o balanço ineficiente e perspectivas de lucros mais fracas”, afirma o banco.

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Os números confirmam a divergência. O CAGR (Taxa de Crescimento Anual Composta) de lucro por ação estimado para a Ambev entre 2025 e 2028 é de apenas 6% em dólares — menos da metade dos 12% projetados para a AB InBev no mesmo período. Enquanto as estimativas de consenso para 2026 da controladora belga subiram 2% no ano, as da Ambev caíram 1%.

Fluxo global

O movimento que explica a alta, segundo o BofA, é essencialmente técnico.

“O setor de staples (produtos básicos) globais foi reprecificado de 20,5 vezes para 22,5 vezes o P/E desde janeiro de 2026, operando agora com prêmio de 12% sobre a média de cinco anos”, descreve o banco.

A pesquisa global de gestores de fundos do BofA mostrou migração de 10 a 15 pontos-base de alocação de EUA e tecnologia para staples em fevereiro — movimento que beneficiou a Ambev de forma desproporcional.

“Vemos espaço limitado para nova expansão de múltiplos, pois acreditamos que o grosso da rotação já ocorreu e o setor já negocia com prêmio sobre a média histórica”, conclui o banco, que mantém recomendação neutra para a Ambev e compra para a AB InBev.