A piora recente da inadimplência entre bancos reacendeu uma dúvida recorrente entre investidores: o aumento do endividamento das famílias já está se traduzindo em deterioração mais relevante da qualidade de crédito? Para o Bradesco BBI, a resposta, por ora, ainda é negativa, apesar de sinais pontuais de pressão.
O pano de fundo é um cenário de juros mais altos por mais tempo, com revisões nas expectativas para a Selic e dados do Banco Central indicando aumento do endividamento das famílias. Esse ambiente reforça a cautela, especialmente em segmentos mais sensíveis à renda.
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Bancos
No primeiro trimestre, os bancos sob cobertura da casa apresentaram deterioração inicial da inadimplência, em movimento que pode ser parcialmente explicado por fatores sazonais. Itaú Unibanco (ITUB4) e Santander Brasil (SANB11) registraram alta de 0,20 ponto percentual, enquanto Inter avançou 0,60 ponto e Nubank (ROXO34), 0,90 ponto.
Segundo o BBI, parte desses movimentos tem explicações específicas.
“No caso do Nubank, a maior parte da alta foi sazonal, com apenas uma fração refletindo mudança de estratégia de risco”, afirmam os analistas Marcelo Mizrahi e Renato Chanes.
Ainda assim, ao analisar os atrasos superiores a 90 dias, o quadro se mostra mais equilibrado, com melhora no Nubank, estabilidade no Itaú e alta moderada em Banco do Brasil, Santander e Inter. Para o banco, isso sugere que a tendência ainda não é de deterioração disseminada.
“Os bancos tradicionais, por terem carteiras mais diversificadas e com maior presença de crédito com garantia, tendem a refletir a inadimplência de forma mais diluída e defasada”, dizem Mizrahi e Chanes.
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Financeiras do varejo
Diante disso, o BBI recorre a um indicador alternativo para captar sinais mais precoces: as financeiras ligadas a varejistas, que possuem maior exposição a consumidores de baixa renda e historicamente mais sensíveis ao ciclo econômico.
Entre essas instituições — como Luizacred (MGLU3), Midway (RIAA3), Realize (LREN3) e operações ligadas a Casas Bahia (BHIA3) e Mercado Livre (MELI34) — os dados mostram melhora consistente da inadimplência nos últimos trimestres, especialmente na comparação anual.
“As carteiras de crédito ao consumidor de varejistas não indicam, até o momento, uma deterioração significativa da qualidade dos ativos”, afirmam Mizrahi e Chanes, destacando quedas relevantes nos índices de atraso acima de 90 dias desde 2023.
Mesmo ao considerar recortes mais recentes, como a variação trimestral ao longo dos últimos 12 meses, o diagnóstico permanece semelhante. Isso reforça a leitura de que, apesar do ambiente macro mais desafiador, o crédito ao consumidor ainda mantém relativa resiliência.
“Embora reconheçamos o nível elevado de juros e endividamento das famílias, entendemos que a inadimplência ainda não atingiu patamares preocupantes”, concluem Mizrahi e Chanes.
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