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Após reestruturação, BBI eleva Azul para neutra com melhora do perfil financeiro

Após reestruturação, BBI eleva Azul para neutra com melhora do perfil financeiro

Upgrade reflete desalavancagem relevante após saída do Chapter 11, com redução de dívida, juros e custos de leasing, além da revisão do modelo já incorporando os efeitos da diluição acionária

O Bradesco BBI revisou a recomendação para as ações da Azul (AZUL53) de venda para neutra após a conclusão do processo de reestruturação financeira da companhia e sua saída formal do Chapter 11 nos Estados Unidos.

Os analistas André Ferreira e Larissa Monte também atualizaram o preço-alvo para R$ 273 por AZUL53, refletindo principalmente a melhora estrutural no perfil financeiro após a desalavancagem relevante do balanço.

Segundo o relatório, a revisão incorpora a nova base acionária já considerando os efeitos da diluição decorrente do processo de reestruturação, além de ajustes no modelo para refletir uma estrutura de capital mais leve e menor pressão financeira no médio prazo.

A mudança de recomendação ocorre em meio à conclusão do processo que marcou a reestruturação das obrigações da companhia, com impacto direto sobre dívida, custos financeiros e despesas recorrentes ligadas à operação.

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Desalavancagem e nova estrutura de capital sustentam revisão do BBI

“A revisão da nossa recomendação para Neutra (vs. Venda) reflete a melhora estrutural no perfil financeiro da companhia após a reestruturação e a atualização do nosso modelo para incorporar a nova base acionária, já considerando os efeitos da diluição”, afirmaram Ferreira e Monte.

Com o encerramento do Chapter 11, a Azul reduziu sua dívida de empréstimos e financiamentos em cerca de US$ 1,1 bilhão, além de cortar aproximadamente 40% do endividamento relacionado a arrendamentos de aeronaves. A companhia também reportou uma redução superior a 50% nos pagamentos anuais de juros em comparação ao período anterior ao processo de reestruturação.

Além disso, a empresa estima que seus gastos recorrentes com leasing serão reduzidos em cerca de um terço, o que contribui para uma melhora relevante na previsibilidade da estrutura de custos e na geração de caixa operacional ao longo dos próximos anos.

O plano de reestruturação foi viabilizado por meio da captação de aproximadamente US$ 1,375 bilhão em Senior Notes e cerca de US$ 950 milhões em aportes de capital, fortalecendo a liquidez e sustentando a nova estrutura de capital da companhia após a saída do processo nos Estados Unidos.

No campo de valuation, o BBI passou a adotar um preço-alvo de R$ 273 para AZUL53, baseado em um múltiplo alvo de 4,3 vezes EV/EBITDA para 2027. O banco aplica um desconto em relação aos pares regionais, como LATAM e Copa, refletindo expectativas de crescimento mais moderado da Azul.

“Embora a desalavancagem avance de forma relevante, ainda vemos um cenário de execução desafiador no médio prazo”, destacam os analistas do Bradesco BBI.

De acordo com o relatório, a projeção é de crescimento de EBITDA em torno de 6% ao ano entre 2027 e 2029, abaixo do ritmo estimado entre 7% e 8% para outras companhias aéreas da região. Nesse contexto, a melhora do perfil financeiro reduz parte dos riscos estruturais do balanço, mas não é suficiente, por ora, para sustentar uma recomendação mais construtiva, justificando a postura neutra do banco em relação às ações da companhia.

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