A BB Seguridade (BBSE3) apresentou lucro acima das expectativas do mercado no terceiro trimestre de 2026, mas a forte retração na emissão de prêmios de seguros e a revisão negativa das projeções para o ano acenderam um alerta sobre o desempenho futuro da companhia. Em avaliações divulgadas após o balanço, Itaú BBA e BTG Pactual (BPAC11) destacaram que os resultados financeiros positivos não compensam a deterioração dos indicadores operacionais, que pode pressionar os lucros em 2027 e 2028. As ações da seguradora desabam quase 5%, a R$ 39, aproximadamente.
A companhia registrou lucro líquido gerencial recorrente de R$ 2,43 bilhões no período, resultado 5,1% inferior ao observado no mesmo trimestre de 2025. Apesar da queda anual, o número superou as estimativas dos analistas: ficou 12% acima da projeção do Itaú BBA e 14% acima da expectativa do BTG Pactual, além de superar em 8% o consenso do mercado, segundo o BTG.
O principal fator positivo foi o desempenho financeiro da Brasilprev, beneficiado por receitas de investimentos superiores às projetadas. Na Brasilseg, a contribuição positiva veio principalmente da sinistralidade favorável, que ajudou a sustentar o resultado mesmo diante da redução expressiva na emissão de prêmios.
Para os dois bancos, entretanto, o principal sinal do balanço está na deterioração da atividade operacional. A administração da BB Seguridade reduziu significativamente a projeção de crescimento dos prêmios emitidos em 2026, passando de uma faixa entre queda de 3% e alta de 2% para uma retração entre 11% e 15%.
Queda de 19% nos prêmios emitidos preocupa mercado
O indicador que mais chamou a atenção dos analistas foi o volume de prêmios emitidos pela Brasilseg, principal subsidiária da BB Seguridade. No terceiro trimestre, o montante somou R$ 3,57 bilhões, recuo de 19% na comparação anual.
O resultado ficou abaixo das estimativas das duas instituições financeiras. O Itaú BBA apontava uma diferença negativa de 7% em relação à sua projeção, enquanto o BTG Pactual calculava um desempenho 12% inferior ao esperado.
A retração foi disseminada entre diferentes modalidades de seguros. Os prêmios rurais caíram 24% na avaliação do BTG, enquanto o seguro de vida prestamista, relacionado à proteção de operações de crédito, recuou 27%. Já o seguro de vida tradicional apresentou queda de 9%.
O seguro residencial foi o principal destaque positivo, com crescimento de 29% na comparação anual, mas não conseguiu compensar a fraqueza das demais linhas de negócio.
A redução nos produtos ligados ao crédito e ao agronegócio preocupa especialmente os analistas, já que essas modalidades possuem participação relevante na geração de resultados do grupo.
Segundo o BTG Pactual, a deterioração da originação ainda não foi totalmente refletida na demonstração de resultados. Os prêmios ganhos líquidos da Brasilseg alcançaram R$ 3,67 bilhões, ficando 3% acima da estimativa do banco, embora tenham recuado 5% em relação ao terceiro trimestre de 2025.
Essa diferença entre a queda dos prêmios emitidos e o comportamento dos prêmios ganhos indica que os efeitos da desaceleração comercial ainda podem aparecer nos próximos trimestres, criando um impacto negativo sobre as receitas de seguros e corretagem em 2027 e possivelmente em 2028.
Brasilprev e sinistralidade sustentam lucro acima do esperado
Apesar da fraqueza operacional, alguns indicadores ajudaram a BB Seguridade a entregar um resultado superior às projeções.
Na Brasilprev, o resultado financeiro alcançou R$ 456 milhões, ante estimativa de R$ 115 milhões do Itaú BBA. A diferença foi um dos principais fatores para a surpresa positiva no lucro consolidado.
O desempenho também foi favorecido pela melhora na sinistralidade da Brasilseg. O índice de sinistros retidos ficou em 22,5%, abaixo dos 24% projetados pelo Itaú BBA, indicando menor comprometimento dos prêmios com o pagamento de indenizações.
Com esse resultado, a Brasilseg registrou lucro líquido de R$ 1,14 bilhão, queda de 11% em relação ao mesmo período do ano anterior, mas 3% acima da estimativa do BTG Pactual.
Para os analistas, porém, tanto o resultado financeiro da Brasilprev quanto a sinistralidade excepcionalmente favorável da Brasilseg devem ser interpretados com cautela. Os bancos avaliam que esses fatores não representam necessariamente fontes sustentáveis de crescimento dos lucros.
O resultado financeiro da Brasilprev pode oscilar nos próximos períodos, enquanto uma eventual normalização da sinistralidade reduziria parte do suporte que atualmente ajuda a compensar a queda das receitas operacionais.
Revisão da projeção para 2026 aumenta preocupação com 2027
A decisão da administração de reduzir a projeção de prêmios emitidos foi considerada o principal ponto negativo do balanço.
A nova estimativa prevê uma queda entre 11% e 15% em 2026, ante a projeção anterior, que variava de retração de 3% a crescimento de 2%. A orientação para o resultado operacional não financeiro, por outro lado, foi mantida.
Na avaliação do BTG Pactual, a nova faixa de projeção implica uma queda adicional de aproximadamente 17% a 34% nos prêmios emitidos no quarto trimestre, na comparação anual.
O banco também observa que os prêmios já acumulavam retração de 9% nos primeiros nove meses de 2026. Com isso, a perspectiva de desaceleração mais intensa no encerramento do ano aumenta os riscos para a geração de receitas nos exercícios seguintes.
O Itaú BBA também considera que a manutenção da projeção para o resultado operacional não financeiro, mesmo diante da piora na emissão de prêmios, exigirá maior contribuição de fatores como a experiência favorável de sinistros e os resultados das demais unidades de negócio.
Na prática, isso significa que a BB Seguridade poderá enfrentar dificuldades para sustentar o desempenho operacional caso a sinistralidade deixe de apresentar níveis tão favoráveis.
Leia também:






