O Banco Pine (PINE4) começou 2026 em ritmo mais forte e levou o BTG Pactual (BPAC11) a elevar suas projeções para o banco, reforçar a recomendação de compra e subir o preço-alvo de R$ 16,50 para R$ 17.
Na leitura da casa, o follow-on concluído em 4 de março, que levantou R$ 229 milhões líquidos a R$ 11,25 por ação, aumentou a capacidade de crescimento justamente no momento em que o banco acelera nas carteiras mais rentáveis, com destaque para o crédito consignado privado.
Com isso, o BTG passou a projetar lucro líquido recorrente de R$ 630 milhões em 2026, alta de 66% na comparação anual, com ROE (Return on Equity) de 37%. A estimativa ficou 26% acima da projeção anterior do banco e 24% acima do consenso de mercado.
Para os analistas, a tese segue concentrada na combinação entre capital mais forte, crescimento da chamada “yield route” e valuation ainda descontado, com a ação negociando a 4,7 vezes o lucro estimado para 2026.
Consignado acelera Banco Pine
A principal mudança no tom do BTG veio da avaliação de que o Pine está conseguindo capturar melhor do que o esperado a janela aberta no consignado privado.
Segundo o relatório, o mercado ainda atravessa um estágio inicial, marcado por gargalos operacionais que têm mantido concorrentes maiores afastados de alguns segmentos e preservado retornos mais elevados para quem já está operando essa avenida.
“O banco vem se beneficiando dos estágios iniciais do mercado de crédito consignado privado, em que uma série de gargalos operacionais criou oportunidades atrativas em termos de margem financeira líquida ajustada ao risco. Agora, com uma posição de capital mais forte, o banco tem maior capacidade de perseguir essa oportunidade”, escreveram Ricardo Buchpiguel, Eduardo Rosman e Thiago Paura, analistas do BTG.
A leitura mais construtiva também está ancorada no desempenho esperado para o primeiro trimestre.
O BTG projeta que o Pine encerre o período com carteira expandida de R$ 18,7 bilhões, alta de 5% ante o trimestre anterior. Desse total, R$ 4,8 bilhões devem vir do consignado privado, com avanço de 19%, enquanto o cartão consignado deve atingir R$ 1 bilhão, crescimento de 23%. A projeção para o lucro líquido recorrente no trimestre é de R$ 127 milhões, alta de 6% na base trimestral e de 73% em um ano.
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Valuation e riscos
Além da melhora operacional, o BTG argumenta que a tese segue atrativa do ponto de vista de valuation e liquidez.
“No consolidado, estamos mais construtivos com o Banco Pine, diante do forte momento operacional e do P/L de 4,7 vezes para 2026. Ainda assim, o principal risco para a tese continua sendo uma deterioração rápida e acentuada da qualidade dos ativos no consignado privado”, afirmaram os analistas do BTG.
Apesar do otimismo maior para 2026, o próprio BTG reconhece que parte dessa força tende a normalizar mais à frente. A instituição trabalha com lucro de R$ 700 milhões em 2027, alta de 11%, mas já embute alguma queda nas taxas do consignado privado e ROE menor, de 31,5%.
O banco também ressalta riscos ligados ao aumento da competição, à possibilidade de mudança regulatória nas taxas do produto e à dependência de parcerias com correspondentes bancários.






