O Banco do Brasil (BBAS3) lucrou R$ 3,9 bilhões em termos gerenciais no 2º trimestre de 2026, alta de 3% em um ano e retorno sobre o patrimônio de 8%. Pelo critério contábil, o resultado cai para R$ 3,2 bilhões, com retorno de 7%.
“À primeira vista o resultado parece fraco, mas quando olhamos o balanço, sobretudo qualidade de crédito, cobertura e patrimônio tangível, o quadro se deteriora”, escrevem Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale, do BTG Pactual.
Inadimplência de cartões dobra em três meses
A inadimplência acima de 90 dias subiu 0,56 ponto percentual no trimestre, para 5,6%, e a cobertura caiu para 148%. Na pessoa física, o índice chegou a 8,41%. Em cartões, passou de 7,1% para 14,6%. A formação de inadimplência avançou 41%, a R$ 21,7 bilhões.

“Os problemas do banco na carteira de agronegócio são comparáveis, possivelmente, apenas à crise de 1994 e 1995, com o risco moral também cobrando seu preço”, afirmam Rosman, Buchpiguel e Pascale.
“A magnitude da deterioração para além do agro, em especial nas carteiras de pessoa física e de empresas, foi bastante significativa”, apontam os analistas do BTG Pactual.
Patrimônio tangível encolhe R$ 15,7 bilhões
O patrimônio líquido caiu 3%, para R$ 189,2 bilhões, por perdas atuariais ligadas a planos de benefício definido. O índice de capital recuou para 13,9%. Os créditos tributários cresceram cerca de R$ 5 bilhões no trimestre e R$ 18 bilhões em doze meses.
“O peso crescente dos créditos tributários na base de capital enfraquece ainda mais a capacidade de geração de lucro do banco”, escreve o trio do BTG Pactual, que calcula o patrimônio tangível em R$ 90,4 bilhões.
“Apesar do múltiplo pouco exigente de 0,6 vez o valor patrimonial, seguimos cautelosos com as ações”, concluem Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale, que veem revisão do guidance como questão de tempo.






