O BTG Pactual se reuniu nesta semana com Elio Wolff, futuro CEO da Axia Energia, e voltou da conversa com duas conclusões. A primeira é que a troca de comando, marcada para abril do ano que vem, não deve mudar o rumo da companhia. A segunda é que a ação combina gatilhos raros no curto prazo.
“Se fôssemos resumir o mote da conversa em uma palavra, seria ‘continuidade'”, escreveram os analistas Antonio Junqueira, Gisele Gushiken e Maria Schutz.
Wolff é prata da casa: entrou na Axia em 2022, depois de quase duas décadas na Engie em funções variadas e em diferentes geografias, e hoje ocupa uma vice-presidência. A transição, segundo o banco, vem sendo longa e suave.
“A decisão da Axia de indicar um vice-presidente interno para o cargo de CEO já sugeria que a continuidade era uma prioridade. Ter a mesma percepção do próprio Wolff, porém, foi bastante positivo”, avaliaram os analistas do BTG.
Os quatro pilares da assimetria
A tese de curto prazo se apoia em quatro pernas. A alavancagem é baixa, de 2,9 vezes neste ano e 2,1 vezes no próximo. Os dividendos são robustos, com retorno estimado em 10,5% para 2027 em um cenário de distribuição integral do lucro.
O valuation é barato, com taxa interna de retorno real de 13,5%. E a companhia oferece exposição a uma commodity — a energia — para a qual o banco está otimista nos próximos três a cinco anos. Não à toa, o papel está na carteira 10SIM, de dez ações recomendadas do BTG.
“Em nossa visão, a Axia apresenta uma interessante assimetria de investimento no curto prazo”, apontaram Junqueira, Gushiken e Schutz.
Há ainda um acelerador tático: o resgate de R$ 4 bilhões da Axia7, aprovado mas pouco executado até aqui. Segundo Wolff, a demora se explica pelo ineditismo da operação para a companhia e para a própria bolsa, e a ordem é concluí-la logo.
“Dada a baixa implementação do resgate de R$ 4 bilhões da Axia7, deve haver uma alta concentração de dividendos nos próximos seis meses, já que os investidores devem receber o que está ‘atrasado’, além dos pagamentos relativos aos próximos trimestres”, calcularam os analistas.
O que pensa o futuro CEO
Na estratégia, Wolff indicou que a comercializadora deve alongar contratos e reduzir a exposição ao mercado à vista quando os compradores convergirem para o que a companhia considera o preço adequado da energia — movimento que já está em curso. As conversas sobre data centers continuam, mas sem horizonte de curto prazo.
Na transmissão, os investimentos em reforços seguem como prioridade: a linha saltou de R$ 2 bilhões para R$ 5 bilhões a R$ 5,5 bilhões, e o plano é continuar crescendo.
O executivo também defendeu que as discussões sobre a renovação das concessões hidrelétricas devem ser retomadas após as eleições, com tratamento igual entre os participantes e novo leilão das usinas como melhor caminho.
A Axia tem interesse em adquirir usinas descontratadas, a depender dos retornos, aposta em usinas reversíveis e em turbinas adicionais nas próprias plantas como rotas de crescimento, descarta investir em térmicas e não pretende, por ora, expandir para fora do país.
Para o BTG, o conjunto faz da elétrica um porto conveniente para a travessia que vem pela frente no mercado brasileiro.
“A Axia é uma história barata em bolsa e deve ser um bom veículo para navegar os meses voláteis à frente no Brasil. Alavancagem baixa e dividendos altos são uma boa combinação”, concluíram os analistas.






