Os papéis da Aura Minerals (AURA33) voltaram ao radar dos investidores após a recente correção, com a XP Investimentos reiterando recomendação de compra e elevando o preço-alvo para R$ 145 por BDR ao fim de 2026, mesmo em meio ao aumento da volatilidade no mercado de ouro.
Após uma alta expressiva de 123% em 12 meses, impulsionada pelo avanço de 26% do ouro e por marcos operacionais relevantes, as ações passaram por uma correção acentuada com o aumento das tensões geopolíticas. Ainda assim, a XP vê o movimento como uma oportunidade de entrada.
Ouro volátil, mas tese estrutural segue positiva
A volatilidade recente do ouro, com queda próxima de 20% desde o início do conflito no Oriente Médio, reflete um ambiente macro mais incerto, marcado por riscos inflacionários e mudanças na trajetória de juros, especialmente nos Estados Unidos.
Apesar disso, a casa mantém visão construtiva para a commodity.
“Seguimos estruturalmente positivos com o ouro, sustentados por fatores como diversificação de reservas e tendência de queda de juros no médio prazo”, afirmam os analistas Lucas Laghi, Guilherme Nippes e Fernanda Urbano.
No caso da Aura, o alto grau de alavancagem ao ouro amplifica tanto os movimentos de alta quanto de queda.
“A companhia funciona como uma expressão de alto beta ao ouro, o que implica maior volatilidade, mas também potencial de retorno mais elevado em cenários favoráveis”, destacam.
Crescimento e m&a como motores de valor
A XP projeta um crescimento robusto da produção da Aura, que pode praticamente dobrar nos próximos anos, passando de cerca de 280 mil onças em 2025 para até 600 mil onças entre 2028 e 2030.
Esse crescimento deve impulsionar uma inflexão relevante na geração de caixa livre, abrindo espaço para novas aquisições.
“O balanço confortável e a desalavancagem rápida devem permitir novas operações de M&A, criando opcionalidade relevante de valor”, apontam os analistas.
Segundo o relatório, há capacidade para até três ou quatro aquisições de ativos de médio porte sem comprometer a estrutura de capital, o que poderia elevar ainda mais a produção e o valor da companhia.
Entre os principais gatilhos operacionais estão o avanço de projetos como Borborema, Era Dorada, o underground de Almas e o turnaround da MSG, além da possível inclusão da empresa em ETFs ligados ao ouro.
Valuation segue descontado
Mesmo após a forte performance recente, a XP avalia que o valuation da Aura permanece atrativo, especialmente quando consideradas as perspectivas de crescimento e o cenário positivo para o ouro.
A companhia negocia com desconto relevante frente ao valor de seus ativos.
“Vemos a Aura negociando a múltiplos que não refletem suas opcionalidades de crescimento nem um cenário mais construtivo para o ouro”, afirmam os analistas.
Além disso, o potencial de expansão via aquisições pode adicionar upside adicional ao valuation.
“Estimamos que o M&A possa acrescentar cerca de 10% ao valor do equity sob premissas conservadoras”, destacam.
No curto prazo, a XP reconhece que os yields de geração de caixa ainda são modestos, mas projeta melhora significativa a partir de 2028, acompanhando o avanço do portfólio de projetos.
Tese permanece dependente do ouro
A principal variável para o desempenho das ações continua sendo o comportamento do ouro, com a Aura mantendo alta sensibilidade aos preços da commodity.
Ainda assim, a leitura da XP é de que o atual momento combina fundamentos robustos com uma janela de oportunidade após a correção recente.
“A queda recente das ações cria um ponto de entrada interessante, considerando o potencial de melhora de momentum com a normalização do cenário geopolítico”, afirmam os analistas.






