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Ativa vê ação da Ultrapar cara após saída do CPPIB

Ativa vê ação da Ultrapar cara após saída do CPPIB

O fundo canadense vendeu 44 milhões de ações da Ultrapar, equivalentes a cerca de 4% do capital social da companhia

A venda integral da participação do Canada Pension Plan Investment Board (CPPIB) na Ultrapar (UGPA3) reforça a percepção de que as ações da companhia já incorporam boa parte da melhora operacional registrada nos últimos anos. A avaliação é da Ativa Investimentos, que manteve recomendação neutra para os papéis, com preço-alvo de R$ 26.

O fundo canadense vendeu 44 milhões de ações da Ultrapar, equivalentes a cerca de 4% do capital social da companhia, em uma operação de R$ 1,3 bilhão. O bloco foi negociado a R$ 29,40 por ação, com desconto de 4,95% em relação ao fechamento do pregão anterior.

Segundo a Ativa, a transação é negativa para os acionistas minoritários do ponto de vista do preço, embora não altere os fundamentos da empresa. Para a corretora, o fato de um investidor institucional de longo prazo ter decidido encerrar totalmente sua posição após a forte valorização dos papéis serve como uma referência importante para o valuation da companhia.

“O block a R$ 29,40 estabelece uma referência importante de valuation e reforça nossa percepção de que, próximo de R$ 30, boa parte da melhora operacional já está precificada”, destaca o relatório.

Saída retira “overhang”

Apesar disso, a Ativa observa que a saída do CPPIB elimina um “overhang” — termo usado pelo mercado para indicar uma potencial pressão vendedora decorrente da expectativa de desinvestimento de um grande acionista.

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De acordo com o CPPIB, a decisão faz parte de uma estratégia de gestão de portfólio. Após a valorização expressiva das ações da Ultrapar, o fundo optou por realizar os ganhos e redirecionar os recursos para outros investimentos no Brasil, principalmente nos setores de infraestrutura e mercado imobiliário.

A Ativa ressalta que não interpreta o movimento como um sinal de deterioração das perspectivas da companhia. O fundo iniciou sua posição em 2021, quando os papéis eram negociados perto de R$ 15, e decidiu vender após as ações praticamente dobrarem de valor.

Na avaliação da corretora, o foco dos investidores deixa de ser o processo de recuperação operacional da Ultrapar e passa a ser a capacidade de sustentar os resultados alcançados.

Segundo o relatório, parte da evolução da Ipiranga parece estrutural, impulsionada por ganhos de eficiência, melhorias logísticas e pelo combate à informalidade no mercado de combustíveis. No entanto, os próximos resultados precisarão confirmar a manutenção das margens por metro cúbico vendido e, principalmente, a capacidade de converter esses ganhos em geração de caixa.

A Ativa acrescenta que novas revisões positivas podem ocorrer caso a Ultracargo mantenha o processo de expansão de suas operações e a Hidrovias apresente melhora operacional. Em contrapartida, um ambiente de maior concorrência ou de maior volatilidade nos preços dos combustíveis pode pressionar margens, capital de giro e estoques, tornando o valuation da companhia mais sensível.

Com as ações negociadas em torno de R$ 29,40, cerca de 13% acima do preço-alvo de R$ 26 definido pela casa, a Ativa conclui que a relação entre risco e retorno deixou de ser atrativa, motivo pelo qual manteve a recomendação neutra para os papéis da Ultrapar.

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