Home
Notícias
Ações
Assaí terá resultado ruim, mas o mercado já sabe disso

Assaí terá resultado ruim, mas o mercado já sabe disso

Bradesco BBI projeta margem Ebitda ajustada estável no trimestre, com ganho bruto compensando menor alavancagem operacional

O setor de C&C (Cash and Carry, ou atacarejo) segue em ambiente operacional difícil — e o Assaí (ASAI3) não deve escapar dessa realidade no primeiro trimestre de 2026.

Os dados divulgados pelo Carrefour França na última terça-feira (22) sobre o Atacadão reforçam o diagnóstico dos analistas Pedro Pinto e Flávia Meireles, do Bradesco BBI, segundo relatório divulgado a clientes nesta quinta-feira (23).

O balanço será conhecido no próximo dia 27, após o fechamento dos mercados.

“Seguimos atentos a sinais mais claros de normalização, especialmente de inflação e juros, para o segundo semestre de 2026, condição fundamental para uma recuperação mais consistente do setor e, em particular, do Assaí”, concluem os analistas — reforçando que o cenário difícil de curto prazo já está, em grande medida, refletido nos preços das ações.

O Atacadão registrou queda de SSS (Vendas nas Mesmas Lojas) de 1,0% na comparação anual no primeiro trimestre — acima da estimativa de 0,5% de queda projetada pelo banco para o Assaí.

Publicidade
Publicidade

“Os resultados reforçam um ambiente ainda desafiador para o segmento”, afirmam os analistas.

O Carrefour atribuiu o fraco desempenho ao cenário macroeconômico adverso e à forte deflação de commodities, apesar de sinais de retomada dos preços de alimentos em março e nas primeiras semanas de abril.

Projeções para o Assaí

Para o Assaí, que divulga resultados em 28 de abril, o Bradesco BBI projeta queda de 0,5% nas SSS (Vendas nas Mesmas Lojas) na comparação anual — desaceleração relevante ante a alta de 0,9% registrada no quarto trimestre de 2025.

“Projetamos desaceleração do SSS no comparativo trimestral, ainda abaixo da inflação de alimentos, refletindo o cenário macro pressionado e a menor renda disponível”, destacam Pinto e Meireles.

Contudo, os analistas ressaltam um ponto positivo relativo.

“Esperamos desempenho superior ao do mercado e do principal concorrente pelo segundo trimestre consecutivo”, apontam.

No consolidado, a receita líquida comparável deve crescer 1,8% na comparação anual.

Em rentabilidade, a monetização de créditos de PIS/Cofins — estimada em cerca de R$ 300 milhões — deve distorcer as comparações do trimestre. Ajustando por esse efeito, o banco projeta expansão de 0,15 ponto percentual na margem bruta, sustentada pela maturação das lojas e por ajustes comerciais.

“Projetamos margem Ebitda ajustada estável, com o ganho bruto compensando a menor alavancagem operacional”, detalham os analistas.

Virada depende do segundo semestre

Entretanto, uma recuperação mais expressiva do setor ainda está longe.

“A limitação da renda disponível segue como um entrave relevante”, alertam Pinto e Meireles.

Os analistas veem possível alívio nas SSS já a partir do segundo trimestre, com a retomada gradual dos preços de alimentos. Entretanto, a recuperação mais consistente do setor depende de condições que ainda não estão dadas.