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As más notícias da Rumo acabaram – e o pior já está no preço

As más notícias da Rumo acabaram – e o pior já está no preço

Empresa espera queda de cerca de 10% nos preços no primeiro trimestre — o último trimestre de ajuste, na visão do BTG

A pergunta que o mercado vinha fazendo há meses sobre a Rumo (RAIL3) finalmente tem uma resposta mais clara. Para os analistas Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim, do BTG Pactual, o ciclo de más notícias da ferrovia está chegando ao fim — e o pior já está refletido no preço das ações.

“A estratégia de ajuste de preços da Rumo, iniciada em meados de 2025, criou uma sequência de más notícias para os investidores, confirmada pelos resultados do terceiro e quarto trimestres”, reconhecem os analistas.

O processo foi doloroso: a empresa entrou em 2025 com tarifas acima dos concorrentes, perdeu participação de mercado e precisou cortar preços de forma agressiva para reconquistar clientes. Mas o movimento produziu resultados: “o reposicionamento de preços já foi assertivo o suficiente para trazer volumes de volta e colocar a Rumo em posição de se reengajar com as tradings em circunstâncias diferentes e melhoradas“, avalia o BTG.

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Processo de ajuste

O primeiro trimestre ainda deve registrar queda de aproximadamente 10% nas tarifas em relação ao ano anterior — mas os analistas enxergam isso como o último trimestre de ajuste. A partir do segundo trimestre, a expectativa é de maior estabilidade nos preços, com a segunda metade do ano mais dependente da dinâmica do milho.

Os volumes confirmam a virada. Em fevereiro, a Rumo transportou 6,9 bilhões de TKU (Tonelada Quilômetro Útil) – alta de 17% ano a ano e 23% em relação a janeiro —, acima das médias históricas do mês.

“Esses dados indicam desempenho acima das médias históricas de fevereiro, com volumes diários atingindo 247 milhões de TKU por dia”, destacam os analistas.

A empresa sinalizou que pode entregar uma carteira comercial acima de 90 bilhões de TKU no ano.

O terceiro pilar da recuperação é o capex (investimentos) disciplinado.

“O plano de investimentos de 2026 deve ficar abaixo do nível de 2025, mas acima de 2024, sinalizando um ritmo de investimento disciplinado e um sinal construtivo sobre alocação de capital”, afirmam Marquiori, Recchia e Alkmim. O foco é a conclusão da Fase 1 do terminal de Mato Grosso, sem desembolsos relevantes para uma eventual Fase 2.

“Após o ajuste fino da estratégia de preços, o foco na eficiência operacional e a execução disciplinada de capex, entramos em 2026 com uma história melhor para a companhia”, concluem os analistas, reiterando a Rumo como “uma das histórias mais convincentes do agronegócio brasileiro no longo prazo.”

O preço-alvo permanece em R$ 23 por ação, com recomendação de compra.