A Armac (ARML3) anunciou a compra de 100% da Escad, em uma transação que combina múltiplo mais baixo e rentabilidade superior — movimento que pode reforçar margens, mas eleva a atenção sobre a capacidade de execução da companhia em meio a uma sequência recente de aquisições.
De acordo com análise da XP, a operação foi fechada a um valuation considerado atrativo, de 3,7x EV/Ebitda estimado para 2026, abaixo dos cerca de 4,7x negociados pela própria Armac. Além disso, a Escad apresenta margem Ebitda projetada de 52%, superior aos 49% esperados para a compradora, o que sugere potencial de ganho de rentabilidade consolidada.
A aquisição também amplia a exposição da Armac a clientes de médio porte no setor de infraestrutura, segmento visto como complementar ao portfólio atual. A Escad possui uma trajetória de 50 anos no Sudeste e opera mais de 600 equipamentos, com idade média inferior a três anos, distribuídos em cinco filiais.
Para 2026, a empresa adquirida deve registrar cerca de R$ 85 milhões em receita bruta de locação e R$ 46 milhões em Ebitda, mantendo alavancagem próxima à da Armac — 2,3x dívida líquida/Ebitda, ante 2,4x da compradora.
Apesar dos ganhos potenciais, o impacto financeiro da transação tende a ser limitado no curto prazo. O negócio representa aproximadamente 5% do Ebitda estimado da Armac para 2026, o que reduz pressões adicionais sobre a alavancagem.
A estrutura da operação envolve um valor da firma de R$ 170 milhões, sendo R$ 63 milhões em equity e R$ 107 milhões em dívida líquida. Do total em equity, 68% serão pagos no fechamento (R$ 43 milhões), enquanto o restante será quitado em parcelas anuais, ajustadas a 85% do CDI, por meio de financiamento do vendedor.
Risco de execução
Por outro lado, o momento da aquisição levanta preocupações sobre execução. A Armac está na fase final de seu processo de reestruturação e já concluiu três aquisições desde novembro de 2025, o que pode aumentar a complexidade operacional e os riscos de integração.
Ainda assim, a leitura geral do mercado é de que se trata de uma aquisição do tipo bolt-on — de menor porte e dentro de um segmento já conhecido pela companhia — o que tende a mitigar parte desses riscos.
Diante desse equilíbrio entre ganhos potenciais e desafios de execução, a recomendação para as ações da Armac foi mantida em compra, refletindo a visão de que a estratégia de crescimento inorgânico segue criando valor, ainda que com maior necessidade de disciplina na integração dos ativos.
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