A ação da Arcos Dorados ($ARCO; $A1RC34) já se sustenta pelo valuation, na avaliação do BTG Pactual (BPAC11), mas isso não significa que o mercado deva encontrar um gatilho imediato para uma reação mais forte no papel.
Ao comentar o balanço do quarto trimestre de 2025, o banco destacou que, mesmo com sinais positivos em margens, capex e dividendos, o desempenho operacional no Brasil ainda é o principal ponto de atenção para a tese.
O relatório classifica o resultado como misto. De um lado, houve melhora sequencial relevante de margem no Brasil, além de capex abaixo do piso do guidance e dividendos acima das projeções.
De outro, a receita no principal mercado da companhia continuou fraca, em um ambiente ainda pressionado por perda de poder de compra, juros altos e inflação de alimentos.
Brasil ainda pesa para o Arcos Dorados
Na visão do BTG, essa fragilidade não deve desaparecer de imediato.
“A situação no Brasil vai durar mais um tempo, enquanto a companhia continua monetizando a vantagem de participação de mercado construída ao longo dos anos. O setor ainda registra queda de tráfego em patamar de um dígito médio, e a meta é repassar inflação ao longo do segundo trimestre e do segundo semestre”, destacou o banco.
As vendas mesmas lojas, ou SSS (Vendas nas Mesmas Lojas), cresceram 16% no consolidado do trimestre, mas o número esconde desempenhos muito diferentes entre as regiões. No Brasil, a alta foi de apenas 1,5%, ainda considerada fraca. No México, o avanço chegou a 5,6%, enquanto a divisão NOLAD, que reúne mercados do norte da América Latina, cresceu só 1,7%.
A leitura sobre rentabilidade, contudo, foi melhor.
“Os otimistas devem se apoiar na forte melhora sequencial de margem no Brasil, com alimentos e papel no país em queda de 10 pontos base na comparação anual, o que mostra bom controle mesmo com a pressão maior do custo da carne bovina”, escreveu o BTG.
O banco também chamou atenção para o anúncio de redução de quadro, com economia anual de US$ 10 milhões, e para os comentários da companhia sobre custos menores de delivery no Brasil.
O Ebitda ajustado somou US$ 152 milhões, acima da estimativa de US$ 145 milhões do banco, ainda que abaixo do consenso de mercado. Segundo o relatório, a melhora veio principalmente da operação brasileira.
“A margem no Brasil caiu apenas 160 pontos base ano contra ano, movimento inteiramente explicado pela alta de royalties, enquanto a melhora sequencial veio de alimentos e papel, mas principalmente da folha de pagamento”, apontou o BTG.
O lucro líquido, porém, decepcionou. A companhia reportou US$ 25 milhões no trimestre, bem abaixo da projeção de US$ 45 milhões do banco, pressionada por uma alíquota de imposto anormalmente alta no período.
Outro ponto positivo foi o capex de 2025, que ficou em US$ 281 milhões, abaixo do piso do guidance, de US$ 300 milhões. O conselho também aprovou dividendo de US$ 0,28 por ação, acima da estimativa do BTG, de US$ 0,25. Para o banco, isso reforça a percepção de maior disciplina na alocação de capital.
Mesmo sem esperar uma virada relevante já no primeiro trimestre, o BTG entende que a ação segue atrativa.
“Qualquer normalização do preço da carne no Brasil ou sinais de inflexão nas SSS do país seriam positivos para a tese”, afirmou a casa.
Negociando a 10,5 vezes lucro e 4,3 vezes EV/Ebitda, a Arcos Dorados segue com recomendação de compra.
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