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Amil pode trocar de mãos

Amil pode trocar de mãos

XP estima valor implícito da Amil entre R$ 21 bilhões e R$ 27 bilhões, acima dos cerca de R$ 17 bilhões mencionados em reportagens

Diversos jornais reportaram recentemente uma potencial transação envolvendo a Amil, com as gestoras de private equity Bain Capital e Advent International avaliando a compra de uma fatia da empresa.

Enquanto algumas reportagens sugerem que José Seripieri Filho — o “Junior” — poderia vender uma participação minoritária mantendo o controle, outras indicam que as gestoras poderiam buscar uma posição de controle, a uma avaliação de aproximadamente 10x EV/EBITDA, cerca de R$ 17 bilhões em valor da firma.

A XP Investimentos chegou a um valor implícito mais elevado para a companhia.

“Com base em um lucro líquido ajustado para 2025 de aproximadamente R$ 2,1 bilhões e em uma faixa considerada justa de 10x a 13x P/L para uma operadora integrada de planos de saúde e hospitais, chegamos a um valor da firma implícito entre R$ 21 bilhões e R$ 27 bilhões”, afirmou o analista Gustavo Tiseo.

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O valor é superior à avaliação de R$ 17 bilhões mencionada nas reportagens recentes sobre a transação.

Tamanho da participação ainda é incerto

Assumindo uma transação de R$ 10 bilhões, um novo investidor poderia adquirir participação entre 35% e 55% da companhia.

“Em ambos os nossos cenários, Junior manteria o controle da companhia, enquanto as reportagens sugerem que ele poderia passar a ser acionista minoritário”, destacou Tiseo.

Outro ponto relevante para a XP é definir se a operação seria primária ou secundária, já que uma injeção de capital primário poderia sustentar um ciclo de investimentos mais agressivo e fortalecer o balanço da Amil.

Governança e expansão da rede própria como potenciais ganhos

A entrada de grandes gestoras de private equity pode gerar mudanças relevantes em diversas frentes do negócio.

“Entre os potenciais benefícios estão o fortalecimento das práticas de governança, uma alocação de capital mais eficiente e maior flexibilidade financeira”, avaliou o analista da XP.

Caso a transação inclua oferta primária, a Amil poderá estar melhor posicionada para acelerar investimentos em sua rede própria de prestação de serviços, especialmente em hospitais.

Atualmente, a companhia opera estrutura própria de leitos hospitalares, além de contar com leitos por meio de sua joint venture com a Dasa, a Rede Américas. Esse braço hospitalar é visto como um diferencial competitivo relevante que poderia se beneficiar de um aporte de capital mais robusto vindo de um sócio estratégico.

No campo operacional, a XP observa sinais de moderação na estratégia de preços da Amil. Embora a companhia tenha adotado postura mais agressiva ao longo de 2025 — especialmente em produtos de menor ticket, como os planos Amil Bronze —, verificações recentes de mercado sugerem mudança de rumo.

“Conversas com corretores indicam que esses produtos registraram reajustes de aproximadamente 20% no início de 2026”, revelou Gustavo Tiseo, sinalizando possível retomada da disciplina de preços e da rentabilidade da operadora, embora a trajetória futura ainda dependa das dinâmicas competitivas do setor e das prioridades estratégicas da companhia após a conclusão da transação.