A Ambev (ABEV3) deve abrir 2026 com um desempenho mais fraco, mas o Bradesco BBI avalia que o primeiro trimestre pode representar o piso operacional do ano para a companhia.
Segundo o banco, com as bases comparativas mais exigentes, menor dinamismo da indústria e o efeito da valorização do real devem pressionar os números no período, ainda que a empresa mantenha sinais de boa execução, sobretudo em Cerveja Brasil.
A casa projeta receita líquida consolidada de R$ 21,8 bilhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 3% na comparação anual, com volumes recuando 2% e retração em praticamente todas as divisões, com exceção de CAC, unidade que reúne América Central e Caribe.
O Ebitda estimado é de R$ 7 bilhões, baixa de 6% em relação ao mesmo período do ano passado, com margem de 32%. Já o lucro líquido deve somar R$ 3,3 bilhões, recuo de 11%, também pressionado por maiores despesas financeiras.
Cerveja Brasil deve concentrar a maior pressão no trimestre
Na divisão de Cerveja Brasil, o Bradesco BBI espera queda de 2,5% nos volumes na base anual, em um ambiente marcado por comparações mais fortes, carnaval antecipado e consumo mais fraco.
Ainda assim, o banco destaca que a operação mostrou melhora no fim de 2025 e vem sustentando ganho de participação de mercado, o que ajuda a reforçar a percepção de boa execução no principal negócio da companhia.
“Na divisão Cerveja Brasil, esperamos volumes 2,5% menores em base anual, pressionados por bases comparativas mais fortes, carnaval antecipado e consumo mais fraco, apesar de sinais de melhora no fim de 2025 e ganho de participação de mercado”, avaliaram Henrique Brustolin e J. Ricardo Rosalen, analistas do Bradesco BBI.
Mesmo com avanço projetado de 4,6% na receita líquida por hectolitro, os custos unitários devem atingir um pico, com alta de 13% na comparação anual. Nesse contexto, o banco estima Ebitda de R$ 3,3 bilhões para a unidade, queda de 7%, com margem de 32,8%, retração de 3 pontos percentuais.
Nas demais divisões, o quadro também tende a ser mais pressionado. Em NAB, braço de bebidas não alcoólicas, o BBI projeta volumes 3% menores, com Ebitda de R$ 645 milhões, alta de 4%, e margem de 27,4%. Em LAS, operação da América Latina Sul, a expectativa é de queda de 2,5% nos volumes, com Ebitda de R$ 1,5 bilhão, baixa de 6%, e margem de 30,9%. No Canadá, a projeção indica volumes 2% menores, Ebitda de R$ 432 milhões, recuo de 9%, e margem de 22,8%.
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Banco vê espaço para reação, mas mantém cautela na tese
A principal exceção positiva, segundo o Bradesco BBI, deve continuar sendo CAC, com crescimento de 3% nos volumes na comparação anual. Ainda assim, o efeito cambial deve limitar a conversão desse avanço em rentabilidade, levando a um Ebitda estimado em R$ 1 bilhão, queda de 7%, com margem de 42,4%.
“O 1T26 possa marcar o ponto mais baixo do ano para a Ambev, com expectativa de crescimento do lucro líquido em base anual nos trimestres seguintes, apoiado por bases comparativas de volumes mais fáceis, impulso de demanda associado à Copa do Mundo e melhora gradual da curva de custos”, escreveram Brustolin e Rosalen, do Bradesco BBI.
Na visão do banco, a companhia deve se beneficiar ao longo do ano de bases mais simples de comparação, sobretudo no Brasil, além de ganhos de eficiência em SG&A, ou despesas com vendas, gerais e administrativas, e de maior alavancagem operacional.
Os analistas ponderam que há dúvidas sobre a sustentabilidade desse ritmo em 2027 e adiante, diante de um ambiente de consumo doméstico mais fraco, consumo per capita de cerveja perto de máximas históricas e potenciais pressões de custos, especialmente com alumínio.
Diante desse quadro, o Bradesco BBI reiterou recomendação neutra para Ambev (ABEV3) e elevou o preço-alvo de R$ 13 para R$ 14 por ação. Segundo o banco, a ação negocia a 16,7 vezes o lucro projetado para 2026, com prêmio de cerca de 20% frente aos pares globais, o que faz a tese depender de uma entrega consistente de crescimento.






