O setor de Alimentos e bebidas deve continuar enfrentando desafios nos próximos meses, diante da pressão sobre as margens das empresas de proteínas, do consumo ainda limitado de cerveja e da inflação moderada em parte dos alimentos industrializados. A avaliação é do Banco Safra, que considera negativo o cenário para proteínas, neutro para bebidas e levemente negativo para alimentos básicos e indulgentes, com base nos dados de inflação de setembro divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Entre os destaques, a recuperação dos spreads de frango representa um sinal positivo para empresas como JBS (JBSS32) e MBRF (MBRF3). Por outro lado, a alta dos custos do gado acima da variação dos preços da carne bovina indica uma compressão das margens no segmento. Para a Ambev (ABEV3), a perspectiva segue condicionada ao consumo limitado e à concorrência no mercado brasileiro de cervejas.
A perspectiva para o mercado de proteínas permanece desafiadora, segundo o Safra. Em setembro, os preços da carne bovina subiram 11,3% na comparação anual, enquanto os valores do frango e da carne suína recuaram 5,2% e 7,4%, respectivamente.
O principal ponto de atenção está na diferença entre os preços de venda e os custos de produção. Embora a carne bovina tenha registrado valorização, o preço do gado avançou 15% em setembro, acima da alta observada no produto final. Esse movimento provocou uma compressão estimada de 3% nos spreads domésticos da carne bovina na comparação mensal.
No segmento de aves, o quadro foi mais favorável. Os preços do frango no atacado subiram 12% em setembro ante agosto, contribuindo para uma melhora de 14% nos spreads domésticos. A evolução beneficia as perspectivas para empresas com exposição ao mercado de aves, embora a deflação dos preços no varejo ainda componha um cenário desigual para o setor.
A carne suína também apresentou recuperação mensal no atacado, com alta de 8% nos preços e melhora estimada de 10% nos spreads em setembro. Apesar disso, o desempenho do terceiro trimestre permaneceu pressionado, refletindo principalmente os resultados de julho e agosto.
Diante desse quadro, o Safra mantém uma visão negativa para proteínas em geral, mas considera o segmento de aves relativamente mais favorável, com destaque para JBS e MBRF.
Ambev deve continuar sob pressão de consumo e concorrência
Para o mercado de bebidas, a avaliação do banco é neutra. Os preços médios da cerveja aumentaram 4,4% em setembro, na comparação anual, desacelerando em relação aos 4,8% registrados no terceiro trimestre.
A alta foi de 3,8% nos preços da cerveja consumida fora de casa e de 4,8% na modalidade consumida no domicílio. Para o terceiro trimestre, o Safra espera que a Ambev apresente crescimento de preços próximo de 4,5% na comparação anual.
Apesar dos reajustes, o banco mantém uma leitura de consumo limitado e ambiente competitivo no mercado brasileiro de cervejas, fatores que podem restringir o desempenho da companhia.
Os refrigerantes, por sua vez, registraram alta anual de 5,2% em setembro, mantendo o mesmo ritmo do mês anterior. No terceiro trimestre, os preços avançaram 5,3%, abaixo dos 5,8% observados no trimestre anterior.
Alimentos industrializados têm inflação abaixo da média
Entre os alimentos básicos e indulgentes, os dados apontam um cenário de preços mais moderados. Em setembro, os preços das massas recuaram 0,1% na comparação anual, enquanto biscoitos e crackers subiram 1,9%. Os dois resultados ficaram abaixo da inflação média do setor de Alimentos e bebidas, de 4,6%.
A margarina foi um destaque positivo em termos de preços no terceiro trimestre, com alta de 6,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já massas, biscoitos e margarina apresentaram relativa estabilidade na comparação mensal.
Mesmo com a inflação mais contida em parte dos produtos, o Safra mantém uma perspectiva levemente negativa para o segmento de alimentos básicos e indulgentes, que inclui a M. Dias Branco (MDIA3).
Margens e demanda serão decisivas para o setor
As perspectivas para o setor de Alimentos e bebidas seguem heterogêneas. A recuperação dos spreads de aves oferece um ponto de apoio para as empresas expostas a essa proteína, mas a pressão sobre os custos da carne bovina e o desempenho ainda fraco dos spreads de suínos mantêm o cenário geral desfavorável para proteínas.
No segmento de bebidas, o desafio está em sustentar o desempenho em um ambiente de consumo limitado e concorrência intensa. Já entre os alimentos industrializados, a inflação abaixo da média do setor evidencia uma dinâmica mais moderada de preços.
Nesse contexto, a avaliação do Banco Safra é de cautela: negativa para proteínas, com perspectiva relativamente melhor para aves; neutra para bebidas, incluindo a Ambev; e levemente negativa para alimentos básicos e indulgentes, como os produtos da M. Dias Branco. A evolução dos custos, das margens e da demanda doméstica será determinante para o desempenho das companhias nos próximos trimestres.
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