A Ágora Investimentos promoveu alterações em sua carteira recomendada de small caps para o mês de maio, em um movimento que combina ajustes táticos e reposicionamento estratégico diante de um ambiente macroeconômico mais desafiador.
Segundo os analistas da casa, duas mudanças foram realizadas: saíram Cury (CURY3) e Hypera (HYPE3), enquanto Copasa (CSMG3) e Pague Menos (PGMN3) passaram a integrar o portfólio. A decisão leva em conta tanto pressões setoriais quanto expectativas para os resultados corporativos no curto prazo.
Pressão no setor de construção motivou saída da Cury
No caso da Cury, a avaliação é de que o setor de construção civil, especialmente no segmento de baixa renda, segue pressionado pelo aumento de custos e pelos juros elevados. “A pressão de custos no setor de construção vem pesando sobre o sentimento de mercado, afetando principalmente os players da baixa renda”, destaca o relatório.
Copasa entra com destaque para avanço na privatização
A inclusão da Copasa está ligada ao avanço no processo de privatização, considerado um dos principais catalisadores da tese. A renovação da concessão em Belo Horizonte até 2073 ajudou a reduzir incertezas relevantes.
De acordo com a Ágora, “o novo contrato estabelece bases regulatórias mais claras e favoráveis”, além de reforçar a previsibilidade da companhia, com mecanismos de repasse inflacionário e reconhecimento de investimentos.
Troca entre Hypera e Pague Menos tem caráter tático
Já a troca de Hypera por Pague Menos tem caráter mais tático e está relacionada à expectativa positiva para os resultados do primeiro trimestre de 2026.
“Temos uma visão construtiva para as ações da Pague Menos, sustentada por forte momento operacional e valuation atrativo”, afirmam os analistas, que projetam crescimento relevante de EBITDA e expansão de margens.
Demais posições reforçam estratégia diversificada
A carteira segue contando com nomes como JSL (JSLG3), SLC Agrícola (SLCE3) e Smart Fit (SMFT3), cada um apoiado em teses específicas.
Mesmo em um cenário macro mais adverso, a JSL permanece na seleção devido à evolução operacional. “A companhia continua avançando de forma consistente na construção de um modelo mais rentável, eficiente e previsível”, diz a Ágora.
Para a SLC Agrícola, o ambiente internacional — marcado por tensões geopolíticas e riscos no fornecimento de insumos — tende a favorecer o setor. Já a Smart Fit é vista como uma tese de crescimento estrutural, impulsionada por tendências de saúde e bem-estar e pela expansão na América Latina.
Na visão da corretora, a composição atual da carteira busca reduzir a exposição a setores mais sensíveis aos juros, ao mesmo tempo em que amplia a presença de empresas com maior previsibilidade ou com catalisadores relevantes no curto e médio prazo.






