A XP Investimentos iniciou a cobertura do setor de saúde com visão construtiva para 2026, destacando Rede D’Or (RDOR3) e BradSaúde (SAUD3) como suas principais escolhas. Segundo a casa, essas companhias combinam catalisadores operacionais de curto prazo, disciplina no provisionamento e estratégias robustas de crescimento.
“O setor negocia com desconto (de 40%) relevante frente ao histórico, mesmo em um momento de resultados sólidos”, afirma o analista Gustavo Tiseo. “Rede D’Or e BradSaúde reúnem os melhores vetores de crescimento e resiliência para atravessar a próxima fase do ciclo”, diz.
A avaliação parte do entendimento de que o setor segue avançando dentro de um ciclo típico, com sinais de transição para uma fase de maior competição, mas ainda sem deterioração relevante dos resultados.
“O setor caminha para uma fase de maior pressão de preços, mas ainda sustentado por fundamentos operacionais sólidos”, afirma Tiseo.
A XP estima que 2026 ainda deve ser um ano resiliente, mesmo com a intensificação da concorrência observada ao longo de 2025. “A combinação de valuations atrativos e fundamentos ainda sólidos cria uma janela interessante para o setor em 2026”, opina o analista.
Rede D’Or (RDOR3)
A Rede D’Or aparece como a principal escolha da casa, sustentada pela liderança no setor hospitalar e pela integração com a SulAmérica. A companhia deve apresentar aceleração na expansão de leitos e avanço contínuo de margens.
A XP projeta a adição de 286 leitos em 2026 e expansão da margem EBITDA para 18%. O crescimento de resultados também se destaca, com expectativa de CAGR de 20% entre 2025 e 2028.
“A maturação dos ativos e a contribuição da SulAmérica devem trazer expansão consistente de margens e maior estabilidade de resultados”, diz Tiseo.
Apesar de negociar a múltiplos superiores aos pares, a XP vê justificativa no crescimento mais acelerado. Compra e preço-alvo de R$ 45.
BradSaúde (SAUD3)
A BradSaúde é vista como uma história de transformação estrutural após o spin-off, com potencial de ganhos de eficiência e diversificação.
A companhia apresenta forte capitalização e disciplina na subscrição, além de espaço para crescimento via parcerias com prestadores.
A XP destaca ainda o excesso de provisões, estimado em cerca de 8 pontos percentuais, fator que pode sustentar margens em um ambiente mais competitivo.
“Seguradoras com maior flexibilidade de IBNR conseguem suavizar ciclos e proteger resultados em momentos de pressão”, afirma Tiseo. Compra e preço-alvo de R$ 17.
Hypera (HYPE3)
A Hypera surge como uma tese de recuperação no segmento farmacêutico, com sinais de retomada de crescimento após um período de desafios.
O pipeline de produtos mais robusto, incluindo avanços em novos medicamentos, e melhorias no capital de giro sustentam a expectativa de reaceleração.
Os papéis negociam a cerca de 6 vezes o lucro estimado para 2027, com desconto relevante frente ao histórico. Compra e preço-alvo de R$ 27.
Fleury (FLRY3)
A Fleury mantém posição sólida em diagnósticos, com execução consistente e margens resilientes. No entanto, o potencial de valorização é visto como mais limitado.
O valuation mais elevado e riscos associados à diversificação do portfólio sustentam recomendação neutra. Preço-alvo de R$ 17.
Dasa (DASA3)
A Dasa aparece como uma tese de recuperação, impulsionada por melhora operacional e possível desalavancagem.
A XP vê avanço na geração de caixa e expansão de margens, ainda que a joint venture hospitalar siga como risco. Compra e preço-alvo de R$ 4.
Mater Dei (MATD3)
A companhia vem consolidando uma nova fase após o ciclo de expansão, com melhora na ocupação e disciplina de capital.
O valuation descontado reforça a atratividade, segundo a XP. Compra e preço-alvo de R$ 6,5.
Blau (BLAU3)
A Blau é apontada como uma tese de crescimento, com pipeline em expansão e maior foco em biológicos.
A companhia negocia com desconto de cerca de 30% frente aos níveis históricos. Compra e preço-alvo de R$ 13.
Qualicorp (QUAL3)
A Qualicorp segue em um processo de recuperação mais incerto, com pressão competitiva no segmento PME.
A XP mantém postura cautelosa diante da baixa visibilidade de crescimento sustentável. Recomendação neutra e preço-alvo de R$ 2.






