O BTG Pactual vê espaço para um “re-rating” das ações do IRB (IRBR3) caso a resseguradora continue a executar sua agenda operacional e estratégica — essa é a avaliação dos analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale após a divulgação dos dados mensais de abril. O banco mantém recomendação de compra para o papel, com valuation de 8 vezes o lucro estimado para 2026.
O IRB reportou lucro líquido de R$ 58,8 milhões em abril, queda de 19% em relação a março, mas alta expressiva de 177% na comparação anual.
Aplicando um múltiplo de três vezes o resultado mensal, o BTG projeta lucro de R$ 176 milhões para o segundo trimestre — alta de 74% frente ao trimestre anterior e de 23% em relação ao mesmo período do ano passado, cerca de 26% acima das estimativas do banco e do consenso do mercado.
Sinistralidade sobe, mas segue controlada
Os prêmios emitidos cresceram 40% em relação a março, embora tenham recuado 8% na comparação anual, totalizando R$ 411 milhões.
Os custos de sinistros subiram 39% em relação ao mês anterior, entretanto permaneceram 42% abaixo do nível de abril de 2025, levando o índice de sinistralidade a 51,2% — acima dos 34,8% de março, mas bem abaixo dos 75,5% registrados em abril de 2025.
“O índice combinado aumentou para 91,6% em abril, ante 77,2% em março e 108,8% em abril de 2025, mas permaneceu abaixo dos 98,1% registrados no primeiro trimestre de 2026”, destacaram os analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale.
A receita financeira recuou levemente na comparação mensal, atingindo R$ 64 milhões, enquanto o resultado antes dos impostos somou R$ 82 milhões.
Re-rating possível com juros altos e execução consistente
As ações do IRB acumulam alta de apenas 4% no ano, bem abaixo de pares como Porto (PSSA3), +12%, BB Seguridade (BBSE3), +15% e Caixa Seguridade (CXSE3), +23%. Contudo, o BTG avalia que parte desse desempenho inferior deixa espaço para uma potencial reprecificação.
“Acreditamos que esse gap também deixa espaço para um potencial re-rating, caso o IRB continue a executar sua agenda operacional e estratégica”, afirmaram Rosman, Buchpiguel e Pascale.
Um fator positivo adicional é a alta sensibilidade do IRB a juros — provavelmente a mais pronunciada entre as empresas cobertas pelo BTG. No cenário atual, com a Selic elevada por período mais prolongado, essa característica deve continuar sendo um suporte relevante para os resultados e para a visibilidade de lucros no curto prazo.
O banco também destaca as iniciativas de médio prazo da companhia, incluindo expansão para o seguro primário, construção de capacidade internacional e aprofundamento das relações com clientes.
“Continuamos gostando da história de investimento do IRB e vemos 2026 como um ano de transição, com a companhia plantando as sementes para um crescimento mais robusto à frente”, concluíram Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale, reiterando a recomendação de compra.






