O Bradesco (BBDC4) carrega ativos estratégicos que o mercado ainda não precifica completamente.
As operações de seguros e consórcios do banco representam opcionalidades relevantes dentro do grupo — e podem se tornar catalisadores de valorização ao longo do tempo, segundo a XP Investimentos em um relatório enviado a clientes nesta quinta-feira (23).
“Além da recuperação operacional do core, enxergamos opcionalidades estratégicas embutidas em negócios não core, como seguros e consórcios, que podem ainda não estar totalmente refletidas na valuation atual e que poderiam sustentar reconhecimento incremental de valor ao longo do tempo”, afirmam os analistas Bernardo Guttmann, Matheus Guimarães e Guilherme Meneghetti.
A avaliação acompanha a atualização das estimativas da XP para o banco, com a introdução do preço-alvo de R$ 24 por ação para o fim de 2026 e manutenção da recomendação neutra.
Execução melhor, mas caminho mais difícil
A XP reconhece avanços relevantes na transformação do Bradesco.
“O banco tem executado melhor do que inicialmente esperávamos e se mostra mais resiliente do que em ciclos anteriores, apoiado por uma maior participação de crédito com garantias e pela melhora da rentabilidade”, destacam os analistas.
Contudo, o horizonte à frente é mais desafiador do que o percorrido até aqui.
“O caminho à frente tende a ser marcado por menos ganhos fáceis, competição mais intensa e investimentos contínuos em tecnologia em um ambiente macroeconômico mais desafiador“, avaliam Guttmann, Guimarães e Meneghetti.
No campo macroeconômico, as expectativas para cortes da Selic pioraram ao longo do primeiro trimestre de 2026. O ambiente de juros elevados por mais tempo pressiona famílias e pequenas e médias empresas.
O Bradesco tem conseguido manter a inadimplência sob controle por meio de originação mais seletiva, com foco em crédito com garantias — o que oferece proteção relativa em relação a ciclos anteriores. Entretanto, uma deterioração adicional do cenário pode pressionar a qualidade dos ativos à frente.
Valuation limita upside
O papel negocia a cerca de 7,8 vezes o lucro estimado para 2026 e 1,2 vez o P/VP (preço sobre o valor patrimonial), com ROE (Return on Equity) em torno de 15% – patamar em linha com o custo de capital.
“As ações ainda embutem certo ceticismo quanto à capacidade do banco de entregar retornos de forma sustentável significativamente acima do custo de capital”, apontam os analistas.
“Embora a execução do plano de transformação tenha superado nossas expectativas iniciais, o upside limitado aos níveis atuais, um ambiente macro menos favorável e riscos persistentes de execução nos levam a reiterar a recomendação neutra”, concluem Guttmann, Guimarães e Meneghetti.
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