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Ação da JHSF será reprecificada, aposta BBI após mudança estrutural no modelo de negócios

Ação da JHSF será reprecificada, aposta BBI após mudança estrutural no modelo de negócios

Relatório eleva preço-alvo da companhia para R$ 15 e vê transição para uma plataforma de renda recorrente como principal gatilho para destravar valor das ações

A JHSF (JHSF3) deve passar por um processo de reprecificação no mercado à medida que investidores reconheçam a transformação de seu perfil operacional e financeiro, avaliam os analistas do BBI. Em relatório divulgado nesta semana, o banco manteve recomendação de compra para os papéis da companhia e elevou o preço-alvo para R$ 15 por ação até o fim de 2026, ante R$ 10 anteriormente.

Segundo os analistas, a revisão reflete uma mudança estrutural relevante na tese de investimento da empresa, impulsionada principalmente pela venda de R$ 5,2 bilhões em estoques residenciais para o fundo imobiliário JCDI11, concluída em dezembro de 2025.

A operação reduziu significativamente a alavancagem da companhia e isolou os riscos associados à atividade de incorporação pelos próximos quatro a seis anos, abrindo espaço para que o mercado passe a enxergar a JHSF mais como uma plataforma de ativos geradores de renda do que como uma incorporadora tradicional.

Transição para modelo de renda recorrente

Na avaliação do BBI, a principal inflexão da tese está justamente na consolidação dessa transição.

“Acreditamos que a principal inflexão da tese está na consolidação da transição de um modelo baseado em desenvolvimento imobiliário para uma plataforma de renda recorrente, com maior previsibilidade, melhor conversão de caixa e menor percepção de risco”, afirmam os analistas.

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O movimento vem sendo construído nos últimos anos por meio da expansão de ativos recorrentes, reciclagem de portfólio e gestão ativa do balanço. A transação com o JCDI11, porém, é vista como o marco que acelera essa mudança de percepção.

A partir de agora, a geração de caixa da companhia tende a ficar cada vez mais ancorada em ativos de renda, como shopping centers, hospitalidade, gastronomia, locações, clubes e o Aeroporto Catarina.

Preço-alvo de R$ 15 é sustentado por três pilares

O novo preço-alvo atribuído pelo BBI é composto por três blocos principais.

A maior parcela, equivalente a R$ 12 por ação, está relacionada aos ativos geradores de renda da companhia. O banco destaca o potencial de crescimento operacional desses negócios, impulsionado pelo aumento da área locável dos shoppings, expansão das operações residenciais para locação, crescimento do Aeroporto Catarina e avanço da plataforma Fasano no Brasil e no exterior.

Outro componente relevante é a operação envolvendo o JCDI11. Os analistas atribuem impacto líquido próximo de zero à transação, uma vez que os custos remanescentes de construção, estimados em cerca de R$ 1,2 bilhão, são compensados pelo valor presente das cotas subordinadas mantidas pela empresa.

Já o banco de terrenos da companhia adiciona cerca de R$ 3 por ação ao valuation. O cálculo considera um potencial de vendas próximo de R$ 30 bilhões, com um cronograma conservador de lançamentos a partir de 2031.

Crescimento do EBITDA e dividendos no radar

O relatório projeta uma forte expansão do EBITDA entre 2026 e 2028, sustentada pela maturação dos ativos de renda e pela ampliação do portfólio operacional.

Ao mesmo tempo, os analistas acreditam que a companhia conseguirá manter uma dinâmica equilibrada entre investimentos, distribuição de dividendos e disciplina financeira.

“Nesse contexto, projetamos uma dinâmica equilibrada entre ciclo de investimento, distribuição de dividendos e manutenção de uma estrutura de capital saudável, partindo de uma posição líquida de caixa”, afirmam.

O banco estima desembolsos anuais entre R$ 500 milhões e R$ 600 milhões nos próximos anos, sem comprometer a capacidade de remuneração aos acionistas.

Mercado ainda superestima riscos da operação com o JCDI11

Apesar da recepção positiva à transação, o BBI entende que o mercado continua atribuindo um peso excessivo aos riscos ligados ao JCDI11.

Segundo o relatório, ainda existem incertezas relacionadas ao custo final das obras e ao ritmo de comercialização dos ativos transferidos ao fundo. Ainda assim, o desenho da operação limita potenciais impactos negativos.

“Embora existam incertezas quanto ao custo final de construção e à velocidade de revenda dos ativos, o desenho da operação limita o impacto negativo potencial enquanto preserva opcionalidade de valorização”, destacam os analistas.

Na visão do banco, o risco associado à operação representa apenas um dígito do preço-alvo da ação.

Desconto patrimonial reforça potencial de valorização

Atualmente, as ações da JHSF negociam com desconto de aproximadamente 46% em relação ao valor patrimonial estimado, segundo o relatório.

Além disso, o banco calcula um dividend yield recorrente próximo de 7% e uma taxa interna de retorno real implícita de cerca de 12,5%, considerando todo o ciclo de desenvolvimento dos ativos.

Para o BBI, esses indicadores reforçam a percepção de que a companhia ainda não é avaliada pelo mercado de forma compatível com a qualidade e a previsibilidade de seus ativos de renda.

“Vemos a geração de caixa ancorada cada vez mais nos ativos de renda”, afirmam os analistas, acrescentando que a empresa deve ser progressivamente reprecificada como uma plataforma integrada de ativos imobiliários de alta qualidade.