O mercado exagerou ao punir as ações da Embraer, e esse movimento abriu uma janela tática de compra nos papéis da fabricante de aeronaves. Essa é a avaliação do Bradesco BBI, que reitera recomendação de compra para os ativos (EMBJ3) com preço-alvo de R$ 110 por ação. As ações acumulam queda de aproximadamente 17% em 2026.
Desde o pico registrado em janeiro deste ano, o recuo chega a 28% — desempenho 22 pontos percentuais abaixo dos pares globais do setor aeroespacial e de defesa. Para o banco, a magnitude da queda não encontra respaldo nos fundamentos reais da companhia.
Reação desproporcional aos dados
A sequência de eventos que derrubou os papéis incluiu um guidance para 2026 abaixo do esperado, alta nos preços de combustível pressionando as expectativas de demanda e resultados do primeiro trimestre aquém do consenso. No entanto, o ajuste no preço foi muito além do que os números justificam.
Após o resultado do primeiro trimestre, a estimativa de consenso para o EBIT de 2026 recuou 8%, enquanto a ação caiu cerca de 15% no mesmo período. Na projeção do próprio Bradesco BBI, a revisão foi ainda mais contida, de apenas 1%.
O banco também destaca que o guidance conservador para 2026 já embutia premissas sobre tarifas nos Estados Unidos que não fazem mais parte do cenário atual, abrindo espaço para surpresas positivas ao longo do ano.
Carteira robusta garante visibilidade
Eventuais oscilações no ritmo de pedidos no curto prazo são mitigadas por uma carteira sólida: cerca de cinco anos de cobertura na aviação comercial e três anos na aviação executiva. Esse backlog garante visibilidade de crescimento e sustentação de resultados independentemente de flutuações pontuais de demanda.
O banco aponta ainda uma série de gatilhos de reprecificação no horizonte próximo, como potenciais novas encomendas — com destaque para o segmento de defesa e o cargueiro militar C-390 —, anúncios em eventos relevantes do setor e recomposição de margens com a dissipação dos efeitos pontuais do início do ano.

Desconto frente aos pares sustenta tese de compra
Negociando a cerca de 9,9 vezes o múltiplo EV/EBITDA esperado para 2026, a Embraer apresenta desconto de aproximadamente 25% em relação aos concorrentes globais. Para o Bradesco BBI, esse patamar é atrativo diante do perfil de crescimento e da geração de valor da companhia.
Há ainda vetores adicionais no radar, como possíveis reembolsos de tarifas já pagas e o avanço do projeto Eve — plataforma de mobilidade aérea urbana — em direção à certificação prevista para 2027. Com a tese estrutural intacta e o valuation comprimido, o banco entende que a assimetria ainda favorece o lado comprado.






