Desde a cisão parcial do Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) com sua subsidiária Assaí (ASAI3) os papéis de GPA têm oscilado bastante na bolsa de valores. Mas o que está acontecendo exatamente com as ações de GPA?
Vamos esclarecer neste artigo os principais fatos e especulações envolvendo o grupo dono de marcas como Extra e Pão de Açúcar.
Oscilações após cisão e nos últimos dias
Nos últimos dias, o GPA vem sofrendo oscilações dos papéis em “razão de ajustes do mercado”, como justificou a empresa em comunicado divulgado na terça-feira (23).
A empresa foi questionada sobre as altas pela B3, mas afirmou que não há fato ou ato que justifique as oscilações.
Na sexta-feira (19), por exemplo, os papéis de PCAR3 saltaram 13,24% (tendo pico de 17% no dia). Na segunda-feira (22) a empresa voltou a subiu, mas desta vez 5,05%.
Mas, desde o início de março, quando houve a cisão entre GPA e Assaí, as ações têm oscilado.
Do primeiro pregão de 2021 até 26 de fevereiro, a ação oscilou de R$ 75,09 para R$ 83. No pregão seguinte, após a cisão da empresa, em 1º de março, as ações despencaram para R$ 23,33.
E, até o último pregão, em 24 de março, os papéis de GPA estavam cotados a R$ 28,18. Ou seja, alta de 20% desde a cisão.
Por outro lado, a Assaí (ASAI3) disparou 385% em sua estreia na bolsa, em 1º de março. Naquele dia a empresa abriu o pregão a R$ 14,69 e terminou valendo R$ 71,40.
No último pregão, em 24 de março, a Assaí estava cotada a R$ 68,50. Ou seja, aumento de 366% desde a estreia na bolsa.
Com a operação, houve também troca no comando executivo de GPA. Em 20 de março Jorge Faiçal, diretor responsável pelo negócio de multivarejo da Assaí, assumiu a posição de diretor presidente do GPA. O executivo substitui Christophe Hidalgo, que ocupava a posição interinamente e permanecerá no conselho de administração e comitês do GPA.
Rumores sobre venda de ativos
O que pode estar por trás das recentes oscilações de GPA na bolsa é uma possível venda do controlador da empresa.
Notícias veiculadas pela mídia estrangeira, mas não confirmadas por GPA e Assaí, dão conta de que investidores têm discutido a possibilidade de o controlador do GPA, Casino Guichard-Perrachon, avançar num processo de venda de ativos no país e na França ou de novas medidas de reestruturação dos negócios do grupo, de acordo com reportagem do Valor.
O Casino estaria considerando a possibilidade de reduzir sua participação na Cnova, empresa de comércio eletrônico da qual o GPA detém 34% de participação.
A Bloomberg informou no último dia 18 que o Casino estuda uma oferta pública inicial da empresa de energia renovável GreenYellow em meio aos planos da varejista francesa para reduzir a dívida. O IPO da GreenYellow está entre as possibilidades em consideração.
Porém, a administração do GPA afirmou não ter conhecimento de informações sobre decisões de reestruturação e venda de ativos pelo Casino e nem da possibilidade de uma oferta de um terceiro pela companhia. “São meras especulações”, afirmou o comunicado do GPA.
Atualmente o GPA detém uma participação de 34% da Cnova (listada na Euronext), com valor de mercado de cerca de R$ 5,4 bilhões.
Para 2021, o GPA irá focar em modelos premium de lojas, e quer abrir 150 novas lojas em três anos. A ideia é que modelos premium sejam 40% da rentabilidade no futuro.
GPA reporta lucros maiores em 2020
Em 24 de fevereiro, o GPA divulgou seus resultados do 4TRI20.
A empresa reportou lucro 17 vezes maior do que no 4TRI19. Assim, lucrou R$ 1,59 bilhão.
No acumulado de 2020, o lucro liquido foi de R$ 2,178 bilhões, alta de 174,9% sobre o ano anterior.
Em 2020, o Ebitda do GPA bateu R$ 4,73 bilhões, alta de 132,2%.
Em todo o ano de 2020, o GPA acumulou receita de R$ 51,25 bilhões. Assim, houve alta de 77,7%.
Já o Assaí reportou lucro líquido de R$ 299 milhões no quarto trimestre de 2020, crescimento de 59,9% na comparação com o quarto trimestre de 2019.
No ano, o lucro líquido somou R$ 1,003 bilhão, um aumento de 31,9% na comparação com 2019.
Competição acirrada
O varejo alimentício no Brasil ficou mais competitivo na quarta-feira (25) após o Carrefour (CRFB3) comprar o Grupo BIG por R$ 7,5 bilhões.
Com o negócio, o Brasil contará com sinergias de R$ 1,7 bilhão até o terceiro ano do fechamento da operação, que precisa ter o aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
No fechamento do pregão de quarta-feira, as ações do Carrefour saltaram 12,77%, cotadas a R$ 21,73. Por outro lado, as ações do GPA (PCAR3) recuaram 4,31%.
Analistas viram com bons olhos o negócio, mas com algumas ressalvam. O UBS afirmou que a operação é “negócio atraente”, com a criação de valor a longo prazo.
“Embora não vejamos isso como uma virada de chave deste tamanho, em nossa opinião, este negócio [entre Carrefour e Big] é feito em um múltiplo atraente com altas sinergias e fortalece significativamente sua posição competitiva”, diz a análise do UBS.
O Grupo Big vai adicionar 387 lojas às 489 do Carrefour, adicionar 32% nas vendas líquidas da empresa e auxiliar o Carrefour na expansão pelo Brasil, principalmente no Sul e Nordeste.
Por fim, para o BTG, a “combinação inesperada” entre os players nº1 e nº3 do setor alimentício criará uma competição mais acirrada no setor.
“Significa também mais competição para Assaí, GPA e Grupo Mateus em diferentes mercados, com uma NewCo com vendas totais de R$ 100 bilhões e 876 lojas”, diz o BTG.






