A curva de recuperação do tráfego aéreo de Gol (GOLL4) e Azul (AZUL4) mostrou inversão de tendência em fevereiro, que deve ser mantida em março e abril por conta do aumento de casos de Covid-19. A análise é da Eleven, em relatório publicado nesta quarta-feira (10).
De acordo com os dados prévios de tráfego de fevereiro de 2021 divulgados pela Azul e pela Gol, houve piora relativa frente à queda mostrada no mês anterior.
Gol (GOLL4) anuncia taxa de ocupação média de 80,8% em fevereiro; oferta de voos cai 28%
O RPK total da Gol apresentou redução de 50,3% a/a em fevereiro de 2021, o que representa uma piora de 13,1 p.p. frente a janeiro, tornando-se o pior mês desde setembro de 2020 (-60,6%).
No caso da Azul, a Eleven destaca que a queda do RPK total de fevereiro de 34,4% a/a (-3,4 p.p. m/m) foi a pior desde outubro de 2020 (-45,2%).
Azul (AZUL4): tráfego de passageiros domésticos aumenta 4,6% ante fevereiro de 2019
“Apesar da ausência do feriado de carnaval em 2021 poder ter influenciado nas variações, as indicações das duas companhias para os próximos meses são de uma diminuição na oferta de assentos. Os executivos da Azul indicaram o corte de 50 voos por dia em março e abril, passando a operar 600 voos diários, enquanto a Gol indicou em sua atualização mensal ao investidor uma redução de quase 50% no número de voos”, afirmam os analistas.
Taxa de ocupação abaixo de 80%
Apesar da oferta de assentos (ASK) da Azul no acumulado do 1T21 até fevereiro estar dentro do guidance (> 100% ASK doméstico de 2019 e > 85% do ASK total de 2019), a taxa de ocupação pelo segundo mês seguido ficou abaixo de 80% (78,4% em fevereiro de 2021 e 78,7% em janeiro).
Essa taxa de ocupação mais baixa, em conjunto com o yield em patamar ainda abaixo do pré-pandemia, apesar da recuperação divulgada junto aos resultados do 4T20, pode afetar a margem e a rentabilidade da operação.
De acordo com sites que compilam informações sobre frota de aeronaves, nos últimos 30 dias a Azul adicionou mais uma aeronave em sua frota (A330), ficando em 10 de março de 2021 com 152 aviões em operação/estacionadas.
Com a Azul negociando a um valuation de 6,9x EV/EBITDA 2022, a Eleven mantém a recomendação neutra, pois considera o desconto em relação à média histórica (7,8x) insuficiente para compensar os riscos ainda presentes de uma segunda onda de Covid-19 e atraso na vacinação e o desafio de redução da alavancagem de balanço.
Assim, a recomendação para Azul é neutra, com preço-teto de R$ 44.
Perspectivas futuras negativas para a Gol
A Gol teve uma piora relevante no ritmo de recuperação de volume (RPK) em fevereiro de 2021 (-50,3% a/a) e a perspectiva para os próximos meses também é negativa.
A companhia indicou uma queda de 28% no volume de venda de passagens em fevereiro e uma piora na queima de caixa diária para R$3 milhões/dia.
Para março, a redução no número de voos será ainda maior, para 250 voos/dia vs. 493 voos/dia em janeiro de 2021.
A frota foi mantida em 127 aeronaves nos últimos trinta dias, mas o percentual de estacionadas aumentou de 28% para 42% em 10 de março de 2021.
“Mesmo com o desconto do múltiplo EV/EBITDA em 2022 de 21% frente ao histórico, vemos um aumento da incerteza para as estimativas dos próximos períodos e, portanto, preferimos manter a recomendação neutra para as ações da Gol”, diz a Eleven.
Assim, o preço-teto é de R$ 29.
Presidentes da Gol e Azul comentam
Os presidentes da Azul e da Gol comentaram com os seus funcionários sobre a queda na demanda e reduções de voos. Os vídeos foram divulgados pelo site Aero In.
Segundo o site, John Rodgerson, presidente da Azul, disse que está tendo “muito tititi sobre o que está acontecendo na empresa”. Ele afirmou que a Azul está em uma posição sólida, mas é natural, com os estados se fechando, a empresa ajustar a malha. Ele prevê que os próximos dois ou três meses serão difíceis para o Brasil como um todo.
Paulo Kakinoff, presidente da Gol, disse que o endurecimento da pandemia “representa um retrocesso na retomada que tínhamos vistos nos meses passados, e traz consigo uma redução do escopo da nossa operação”. Entre as medidas tomadas estão a redução das operações para cortar custos e passar por mais uma fase difícil.






