O petróleo voltou a subir nesta terça-feira (11) com o Estreito de Ormuz ainda fechado pelo impasse entre Estados Unidos e Irã. O Brent avançava mais de 1% e se aproximava de US$ 90 o barril.
Os futuros em Nova York operavam perto da estabilidade, sem direção única entre S&P 500, Nasdaq e Dow Jones. As bolsas europeias seguiam o mesmo compasso, e a Ásia fechou mista.
O dólar ficava praticamente estável ante moedas fortes, enquanto os rendimentos dos Treasuries avançavam. Em Dalian, o contrato mais negociado do minério de ferro, para setembro de 2026, fechou em alta de 1,26%, a US$ 106,95.
Commodities ajudam, juros longos atrapalham
A alta das commodities pode dar alguma sustentação ao Ibovespa, sobretudo por petróleo e minério. O movimento dos Treasuries, contudo, tende a limitar o apetite ao risco e manter pressão sobre a curva de juros local.
“A ata do Copom e o IPCA de julho concentram as atenções, com investidores buscando sinais sobre a Selic, a leitura do Banco Central para a inflação e o grau de preocupação com a desancoragem das expectativas”, afirmou a Ágora Investimentos em relatório.
A temporada de balanços divide espaço na agenda. JBS, Natura, São Martinho, Movida e Grupo SBF repercutem resultados, e a B3 divulga os seus no pós-mercado.
Ata do Copom
O Banco Central publicou a ata da última reunião do Copom, com conteúdo classificado como neutro em relação ao comunicado pelos economistas Guilherme Sousa e Étore Sanchez, da Ativa Investimentos. As novidades ficaram nos parágrafos 8, 14 e 15.
A autoridade monetária reconheceu o processo desinflacionário em curso, tanto para o produtor quanto para o consumidor final, e voltou a tratar da transmissão da política monetária pela desaceleração da atividade. Sobre o choque de oferta, afirmou que combaterá apenas os efeitos secundários, “caso esses efeitos se materializem”.
“O nosso entendimento foi no sentido de que a autoridade deverá afrouxar a Selic novamente em 25 pontos-base na próxima reunião”, escreveram Guilherme Sousa e Étore Sanchez, economistas da Ativa Investimentos.
Quanto ao tamanho do ciclo, o Copom segue dependente dos dados, ainda que tenha tentado passar a mensagem de que responderá com firmeza se for preciso.
“Diante de um recrudescimento da incerteza sobre o Oriente Médio, alteramos nossa projeção para a Selic de 12,25% para 13,25% ao fim deste ano, com um ciclo baixista em ritmo mínimo ao longo de todo o ano de 2026”, apontaram Sousa e Sanchez.
IPCA
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo subiu 0,07% em julho, 0,09 ponto percentual abaixo dos 0,16% de junho. Em julho de 2025, a variação havia sido de 0,26%.
No ano, o IPCA acumula alta de 3,44%. Em doze meses, o índice ficou em 4,44%, ante 4,64% nos doze meses imediatamente anteriores.
Shorts
O volume short voltou a acelerar na virada de julho para agosto, saindo de uma região próxima a 170 milhões para algo perto de 190 milhões. No mesmo intervalo, o Ibovespa ficou relativamente estável, entre 175 mil e 180 mil pontos.
O avanço do posicionamento vendido sem deterioração proporcional do índice sugere mais cautela dos investidores e possível busca por proteção ou apostas direcionais em ativos específicos.
Análise técnica
O Ibovespa mantém viés de baixa no curto prazo e segue testando a região de 172.200 pontos, próxima à base do canal ascendente. Segurar essa faixa ainda pode preservar parte da estrutura de recuperação.
A perda de fôlego recente deixa as médias curtas como pontos de atenção. Sem o suporte, o índice pode ampliar a acomodação rumo aos 168 mil pontos. Acima de 178.220 pontos, o sinal negativo perderia força.



