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Tesouro Direto hoje: prefixados e IPCA+ têm negociações suspensas após Brasil acionar reciprocidade

Tesouro Direto hoje: prefixados e IPCA+ têm negociações suspensas após Brasil acionar reciprocidade

Curva de juros inverte a queda e sobe até 0,21 ponto com temor de retaliação às tarifas dos EUA; Tesouro Selic permanece disponível

O Tesouro Direto hoje (14) apresenta as negociações dos títulos prefixados e ligados à inflação temporariamente suspensas. Por volta das 13h06, a plataforma mantinha disponível apenas o Tesouro Selic 2031 entre os papéis tradicionais do programa.

A interrupção ocorre diante da forte oscilação dos preços dos títulos públicos. Os juros futuros, que abriram em queda, inverteram o sinal e passaram a registrar altas expressivas ao longo da curva.

A mudança acontece em uma sessão marcada pela cautela com a abertura do processo de reciprocidade do Brasil contra as tarifas impostas pelos Estados Unidos. Embora nenhuma retaliação tenha sido adotada, o mercado repercute o risco de agravamento das tensões comerciais entre os dois países.

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Tesouro Direto hoje mantém apenas Tesouro Selic disponível

Os títulos prefixados e IPCA+ não apareciam entre as opções disponíveis para investimento no momento da consulta. Com isso, não havia taxas atualizadas desses papéis para comparação com os rendimentos registrados na quinta-feira (13).

“Os preços dos demais títulos podem estar oscilando significativamente. Assim que novos preços forem definidos, eles estarão disponíveis para negociação novamente”, informa o Tesouro Direto.

A suspensão temporária permite que o Tesouro Nacional atualize os preços e as taxas oferecidas diante de alterações mais intensas nas condições do mercado. As negociações podem ser retomadas ainda ao longo do dia, caso seja possível estabelecer novas referências.

O Tesouro Selic 2031 permanecia disponível com rendimento de Selic + 0,0738% ao ano, ante Selic + 0,0739% na sessão anterior. A diferença representa uma queda marginal de 0,0001 ponto percentual.

O preço unitário do título subiu de R$ 19.595,48 para R$ 19.605,74. Como o papel acompanha a taxa básica de juros e apresenta menor volatilidade, costuma continuar disponível durante interrupções que atingem prefixados e títulos ligados ao IPCA.

Juros futuros disparam com tensão entre Brasil e EUA

Os juros futuros começaram a sexta-feira em queda, mas inverteram o sinal e passaram a avançar com força nos vencimentos intermediários e longos.

Por volta das 12h48, o DI para janeiro de 2027 subia de 13,75% no fechamento de quinta-feira para 13,795%, alta de 0,045 ponto percentual.

O contrato para janeiro de 2029 avançava de 14,245% para 14,455%, elevação de 0,21 ponto percentual. Já o DI para janeiro de 2032 passava de 14,615% para 14,80%, acréscimo de 0,185 ponto percentual.

A abertura da curva coincidiu com a valorização do dólar. Por volta das 12h47, a moeda americana avançava 0,91%, negociada a R$ 5,239.

Na quinta-feira, o governo brasileiro iniciou formalmente um processo baseado na Lei da Reciprocidade Econômica contra as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros. As alíquotas americanas chegam a 37,5% para parte das exportações do Brasil.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a abertura do procedimento não significa que medidas de retaliação serão automaticamente implementadas. O primeiro passo será ouvir representantes do empresariado brasileiro e de outros países sobre os impactos das tarifas.

“A medida de reciprocidade pode vir a ser adotada ou não”, afirmou Durigan.

A possibilidade de novas barreiras comerciais aumentou a cautela mesmo após a divulgação de indicadores mais fracos nos Estados Unidos. As vendas do varejo americano caíram 0,6% em julho, enquanto o mercado esperava crescimento de 0,1%.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também afirmou que tenta conversar diretamente com Donald Trump e defendeu serenidade nas negociações. A postura, contudo, não impediu a abertura das taxas futuras e a suspensão temporária dos títulos mais sensíveis às mudanças nas condições de mercado.

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Últimas taxas disponíveis dos títulos suspensos

Como os papéis prefixados e ligados ao IPCA não apresentavam novas cotações, as taxas abaixo correspondem à consulta realizada por volta das 12h58 de quinta-feira:

Prefixados

  • Tesouro Prefixado 2029: 14,18% ao ano
  • Tesouro Prefixado 2032: 14,56% ao ano
  • Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037: 14,60% ao ano

Atrelados ao IPCA

  • Tesouro IPCA+ 2032: IPCA + 8,09%
  • Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037: IPCA + 7,80%
  • Tesouro IPCA+ 2040: IPCA + 7,65%
  • Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045: IPCA + 7,60%
  • Tesouro IPCA+ 2050: IPCA + 7,39%
  • Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060: indisponível na consulta anterior