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Mercado dá como certa Selic a 13,25% amanhã; veja como investir

Mercado dá como certa Selic a 13,25% amanhã; veja como investir

Claudia Zucare

Claudia Zucare

14 Jun 2022 às 09:07 · Última atualização: 14 Jun 2022 · 9 min leitura

Claudia Zucare

14 Jun 2022 às 09:07 · 9 min leitura
Última atualização: 14 Jun 2022

foto de moedas de real

Reprodução/Pixabay

Começa nesta terça-feira (14) e segue até quarta (15) a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central para definir a taxa de juros, Selic.

Atualmente ela se encontra em 12,75%, e o resultado da reunião deve ser Selic a 13,25% na opinião da maioria do mercado.

A grande questão, porém, será se esta alta de 0,5 ponto porcentual será a ultima do ciclo ou se ainda se pode esperar mais uma subida da Selic na reunião de 3 de agosto.

Para a EQI Asset, a Selic sobe 0,5% agora e mais 0,5% na próxima reunião, atingindo uma leitura final de 13,75% ao ano.

O BTG Pactual (BPAC11) estimava Selic final a 13,25%, mas, devido ao cenário macro, revisou para cima sua projeção, também chegando a 13,75%.

“Nesta quarta-feira, o Banco Central, mais do que indicar uma elevação de 50bps, deverá sinalizar que o ciclo de ajuste monetário continua e, caso opte por uma postura mais hawkish, deixa em aberto o ritmo de ajuste do próximo passo”, afirma o banco.

Gráfico com projeções para Selic
Projeções Selic. Reprodução/BTG

Levantamento do jornal Valor mostra que é consenso no mercado a alta de 0,5 p.p. Vale lembrar que Boletim Focus, do Banco Central, segue sem divulgação, devido à greve dos servidores, o que dificulta as projeções para os principais indicadores econômicos.

Selic a 13,25% e cenário macro

O cenário global se manteve com os mesmos desafios: apesar da redução do lockdown em importantes cidades chinesas, a extensão do conflito no Leste-europeu mantém pressionados os preços de commodities e bens industriais.

No Brasil, medidas de combate à inflação chegaram ao Congresso, e podem significar forte redução na inflação de 2022, mas mantêm pressionadas as expectativas para 2023, acima do teto da meta também para o próximo ano.

Por conta disso, Elias Wiggers, assessor de investimentos da EQI, acredita que o Copom deverá manter o tom neutro, sem indicar desta vez se o final do ciclo já chegou ou quando será.

“O fim do ciclo está não está tão longe, mas também não vai ser anunciado desta vez. Talvez na próxima reunião, que acontece depois de 45 dias”, afirma Elias.  

“O comunicado de amanhã tende a ser neutro. O Copom não deve dizer quando será o fim do ciclo de alta, até porque o cenário internacional ainda é muito desafiador. É provável que ainda sejam necessários ajustes”, diz.

Selic a 13,25%: como ficam seus investimentos?

Para Elias Wiggers, uma Selic desta magnitude não é novidade para o mercado, que já vinha trabalhando com esses patamares desde o início do ano. E isto significa que as recomendações para os investimentos seguem as mesmas.

“Já vínhamos recomendando aos clientes atrelar boa parte do patrimônio à renda fixa. Pós-fixados estão em elevação, pré-fixados já estão interessantes, porque os contratos de DI futuro já precificam essa Selic mais alta”, ele diz.

E complementa:

“ Para quem pensa mais a longo prazo, vale aproveitar IPCA+, que tem bastante gordura pra aproveitar para períodos maiores do que 5, 6, 7 anos. Tem muita coisa aparecendo”, afirma.

Uma das recomendações da EQI, inclusive, é alongar o prazo de vencimento dos títulos, negociando os mesmos no mercado secundário – e você entende como fazer isso, clicando no link e no vídeo abaixo.

Já quanto à renda variável, segue a cautela:

“Recomendamos muita cautela na exposição à renda variável, enquanto esse patamar de juro perdurar”, afirma.

Selic e os FIIs

E qual a repercussão para os fundos imobiliários?

Na visão de Felipe Paletta, fundador da casa de análise Monett, tão importante quanto a decisão do Copom em si é a expectativa que se forma antes e depois da comunicação do Banco Central.

“Para os fundos imobiliários, vai ser muito, muito bom, quando o Copom sinalizar que chegamos ao fim do ciclo de alta da taxa de juros”, ele diz.

Em sua visão, os fundos de papel tendem a continuar a repassar bons dividendos no curto prazo. E os fundos de tijolo, com a queda dos juros, voltam a ganhar os holofotes.

“Os maiores descontos, hoje, estão nos fundos de tijolo. Você deveria olhar com mais atenção para eles. Vejo que as lajes corporativas e os shopping centers não estão ganhando olhar atendo dos investidores e estão muito descontados”, aponta.

O que é a Selic?

A taxa é o principal instrumento de política monetária utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação.

Quando o Copom reduz a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato. O que incentiva a produção e o consumo, mas reduz o controle da inflação.

Em sentido contrário, quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, seu objetivo é conter a demanda aquecida. Isso causa reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Saber sobre a taxa Selic é importante para o investidor, porque a taxa funciona como um norte para montar uma boa carteira de investimentos.

A regra é: com a taxa de juros baixa, os rendimentos da renda fixa deixam de ser tão atrativos. Por outro lado, com taxa de juros alta, a renda fixa volta a ganhar destaque.

Mas é importante entender que uma carteira equilibrada não foca apenas em um tipo de ativo. É preciso “distribuir os ovos em mais cestas”, como estratégia de defesa e diversificação, equilibrando o desempenho dos ativos.

Como o Copom define a Selic?

A principal função do Copom é realizar uma avaliação do cenário macroeconômico do país e os principais riscos a ele associados.

É com base nessas avaliações que são tomadas as decisões de política monetária.

Além de definir a Selic, desde 1999 o Copom também é responsável por acompanhar o cumprimento das metas de inflação definidas pelo Conselho Monetário Nacional.

Vale lembrar que o Copom não pode aumentar ou diminuir a taxa Selic sem que, para isso, exista uma justificativa pautada na tendência do cenário econômico e no mercado brasileiro.

Na realidade, as variações na Selic tendem a acompanhar as variações de um outro índice, o IPCA, que é o indicador base da inflação no país.

Nesse sentido, diante de um cenário em que a inflação esteja controlada, a tendência da taxa Selic é cair.

Já nos momentos em que há um aumento na inflação, com agora, a Selic normalmente sobe para ajudar no controle do mercado.

Como são as reuniões?

As decisões do Copom são tomadas de 45 em 45 dias, em uma reunião que se estende por dois dias.

No primeiro dia, os chefes dos departamentos apresentam uma análise técnica de conjuntura do país. Essa análise envolve uma série de pontos importantes, tais como:

  • Inflação;
  • Nível de atividade;
  • Evolução dos agregados monetários, finanças públicas;
  • Balanço de pagamentos;
  • Economia internacional;
  • Mercado de câmbio;
  • Reservas internacionais;
  • Mercado monetário; e
  • Operações de mercado aberto e expectativas gerais para variáveis macroeconômicas.

Já no segundo dia da reunião, os diretores de política monetária e de política econômica, após análise das projeções atualizadas para a inflação, apresentam alternativas para a taxa Selic e fazem recomendações acerca da política monetária.

Depois dessas avaliações feitas pelos diretores citados acima, os demais membros fazem suas ponderações e apresentam eventuais propostas alternativas.

Ao final desse debate é que ocorre a votação das propostas, em que se busca o consenso sempre que possível.

Essa votação leva em consideração a maioria simples dos presentes, ou seja, para que uma proposta seja aceita, a maior parte dos membros presentes devem concordar com ela.

Além disso, em caso de empate, é o presidente do Copom  que irá proferir o chamado “voto de qualidade”, que é o voto de desempate.

As decisões emanadas do Copom devem ser publicadas por meio de comunicado do diretor de política monetária e esse comunicado deve acontecer no segundo dia, a partir das 18h, imediatamente após o término da reunião.

A taxa de juros fixada na reunião será a meta para a taxa Selic que irá vigorar durante todo o período entre uma reunião ordinária e outra.

A ata dessa reunião geralmente é publicada na terça-feira imediatamente posterior à reunião.

Histórico da Selic

A taxa Selic, que já chegou a 45% em março de 1999, teve sua maior alta recente em agosto de 2016: 14,25%. Em janeiro de 2017 ela estava em 13% e, a partir daí, iniciou uma sequência de quedas, alcançando o piso histórico de 2% em agosto de 2020.

Em março de 2021, teve início o atual ciclo de alta, sendo que a subida desta quarta será a 11ª sequencial.

Reprodução/EQI

Quer saber mais sobre como investir com Selic a 13,25%? Então, preencha o formulário que um assessora da EQI Investimentos entrará em contato.

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