O Santander manteve o Tesouro IPCA+ 2032 como a principal recomendação de Tesouro Direto para maio.
Os analistas Ricardo Peretti e Alice Corrêa destacam que a sugestão do título levou em conta um cenário de juros ainda elevados, proteção contra inflação e menor risco de marcação a mercado frente aos títulos mais longos.
Segundo relatório do Santander, o título atrelado ao IPCA oferece uma relação mais equilibrada entre retorno e risco no cenário atual. A recomendação considera tanto o ambiente doméstico, marcado por incertezas sobre juros e inflação, quanto o exterior, ainda sensível a tensões geopolíticas.
“Enxergamos o Tesouro IPCA+ 2032 como a melhor assimetria de riscos atualmente”, afirmou o Santander.
A avaliação do banco é que a duration mais curta do papel permite capturar uma taxa real atrativa, mas com menor exposição às oscilações de preço em comparação com vencimentos mais longos. Em outras palavras, o investidor ainda consegue buscar ganho acima da inflação, mas com risco mais controlado caso precise vender antes do vencimento.
O Santander também destaca que a indexação ao IPCA pode funcionar como proteção caso a pressão sobre combustíveis piore ou o dólar volte a subir por causa do conflito no Irã. Nesse cenário, o título corrigido pela inflação tende a preservar melhor o poder de compra do investidor.
Na posição de 30 de abril, o Tesouro IPCA+ 2032 acumulava rentabilidade bruta de 2,4% nos últimos 30 dias, depois de queda de 1,46% no mês anterior. O papel ainda não tinha histórico de desempenho no ano e em 12 meses, por ter sido disponibilizado recentemente pelo Tesouro Direto.
Juros e inflação
No cenário macroeconômico, o Santander projeta IPCA de 4,5% em 2026 e de 4% em 2027. Para a Selic, a estimativa é de 12,5% ao fim de 2026 e de 12% ao fim de 2027, após o Copom (Comitê de Política Monetária) cortar a taxa básica em 0,25 ponto percentual na reunião de abril, para 14,5% ao ano.
O banco afirma que, antes do choque externo recente, o mercado precificava um ciclo de cortes de aproximadamente 3 pontos percentuais neste ano. Agora, a curva indica um alívio mais moderado, em torno de 1 ponto percentual, refletindo maior cautela com inflação, câmbio e incertezas globais.
O relatório também cita um ambiente externo ainda instável, com trégua frágil no Oriente Médio e riscos associados ao Estreito de Ormuz, ponto relevante para o mercado de energia. A leitura é que esse pano de fundo mantém os mercados mais sensíveis a eventos geopolíticos e pode impactar preços de combustíveis e expectativas de inflação.
No acompanhamento da carteira “Tesouro do Mês”, o Santander informa que a estratégia avançou 2,23% em abril, acima do IMA-B, que subiu 1,81%, da poupança, com ganho de 0,67%, e do CDI, com alta de 1,09%. No acumulado desde julho de 2014, a carteira soma retorno de 266,08%, contra 231,51% do IMA-B, 205% do CDI e 106,36% da poupança.
Apesar disso, o desempenho recente mostra um quadro mais misto. Em 2026, a estratégia sobe 4,06%, abaixo do IMA-B, com 4,85%, e do CDI, com 4,54%. Em 12 meses, o Tesouro do Mês acumula 9,84%, também abaixo do IMA-B, de 12,35%, e do CDI, de 14,83%.
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