Em um cenário de juros elevados, há uma estratégia de ganho com renda fixa que pode garantir um retorno esperado de 12% ao ano (a.a.): tratam-se dos títulos do Tesouro Direto (NTN-Bs) com vencimentos longos, acima de 30 meses. Isso porque, de acordo com relatório do banco Safra, o juro real elevado garante carrego forte e rolagem negativa limitada.
De acordo com o relatório do Safra, assinado pelos analistas Yuri Machado e Roberto Pasqualini, é observada uma assimetria favorável para compressão adicional do juro real, onde é estimado esse retorno esperado sem precisar de fechamento da curva.
Cenário favorável
Isso ocorre porque a dinâmica atual de mercado cria cenário favorável para a entrada em papéis indexados à inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) na parte longa da curva. O juro real ex ante está em máximas históricas, garantindo carrego robusto, e o nível persistentemente elevado do juro real das NTN-Bs reduz o impacto da rolagem da curva, principalmente nos vértices mais longos.
“Vale pontuar que, dada a inversão da curva, o efeito negativo da rolagem será mais intenso nos vértices mais curtos, reduzindo ganhos do carrego. Em nossa estimativa, o retorno esperado (carrego + rolagem) pode chegar a 12% a.a. na ponta mais longa, sem necessidade de movimentos expressivos de fechamento da curva”, avaliou o banco.
O banco explica ainda que o cenário monetário reforça a assimetria de ganho potencial maior do que perda potencial e a continuidade do ciclo de queda da taxa Selic, combinada com um ambiente externo considerado benigno e fluxo positivo para o real, cria condições para compressão adicional do prêmio de juro real.
Esse fechamento tende a se concentrar justamente nos vértices intermediários e longos. Movimentos de fechamento de 50 pontos-base (bps) já seriam considerados suficientes para trazer ganhos acima de 6%.
“Quanto aos títulos pré-fixados, entendemos que eles já capturaram boa parte do movimento de valorização recente. O retorno tende a vir majoritariamente do carrego, que, embora ainda atrativo no curto prazo, oferece menos assimetria quando comparado ao juro real longo”, diz trecho do relatório.
A relação risco‑retorno fica menos favorável, uma vez que qualquer reprecificação fiscal ou global incide diretamente sobre o juro nominal, principalmente se alongar demais nos pré-fixados para aumentar ganhos.






