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EUA: “Pouso suave” pode não se confirmar, afirma Stephan Kautz, da EQI Asset

EUA: “Pouso suave” pode não se confirmar, afirma Stephan Kautz, da EQI Asset

Claudia Zucare

Claudia Zucare

01 Ago 2022 às 16:43 · Última atualização: 01 Ago 2022 · 3 min leitura

Claudia Zucare

01 Ago 2022 às 16:43 · 3 min leitura
Última atualização: 01 Ago 2022

foto de bandeira dos EUA

Com recuo de 0,9% do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no segundo trimestre, depois de uma queda de 1,6% no primeiro trimestre, parte dos mercados entendeu que o Federal Reserve (Fed), banco central americano, talvez não precisasse ir muito além nos juros. A queda no PIB foi “bem recebida” pelo mercado e os ativos de risco demonstraram otimismo no final da semana passada.

Para esta parte do mercado, a interpretação dominante é que juros finais de 3% a 3,5% seriam suficientes para conter a inflação, que é recorde em quatro décadas nos EUA.

No entanto, para Stephan Kautz economista-chefe da EQI Asset, o “pouso suave” tão aguardado pode não se confirmar.

A seu ver, na entrevista pós-reunião do Fomc, na última quarta-feira (27), o presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou que não está definido o próximo passo da política monetária, podendo ser de 75 ou 50 pontos base.

Além disso, sinalizou que a decisão dependerá dos dados serem divulgados até a reunião de 21 de setembro. “O Fed precisa ver a inflação desacelerando e convergindo para a meta de 2%”, afirma Kautz.

Powell mencionou também que, após uma quantidade considerável de altas já realizadas (quatro até aqui), é natural discutir uma redução no ritmo de escalada dos juros.

“Assim, esperamos que na próxima reunião o Fed decidirá por uma alta de 50 pontos base, seguida de 3 a até 4 altas de 25 pontos”, afirma Kautz, para quem os juros devem atingir 4,25% ao ano.  

“Caso a inflação permaneça pressionada e com convergência lenta, não descartamos que o Fed suba a taxa ainda mais”, afirma.

“Se o pouso for muito suave, a inflação não vai desacelerar como o Fed gostaria. Então, ele teria que subir mais o juro, o que acabaria com o ‘pouco suave’. O pouso suave é um ‘wishful thinking’ (pensamento positivo), um otimismo que não está garantido”, afirmou Kautz em entrevista à Exame Invest.

As altas de juros devem impactar para baixo o crescimento e pressionar também para baixo o preço das commodities, ajudando a reduzir a inflação no Brasil – mas também diminuindo o potencial de crescimento para o ano que vem.

Para a política monetária brasileira, Kautz projeta Selic final a 14,25%, com queda dos juros acontecendo a partir de maio de 2023.

Cenário global de aperto monetário e crescimento baixo: quais os setores mais impactados?

Setores em baixa

Neste cenário de crescimento baixo e juros altos nos EUA, o preço das commodities devem sentir impacto do desaquecimento da economia, aponta Luís Moran, head da EQI Research.  

Com Fed subindo juros, há impacto também no câmbio, que tende a subir. As empresas impactadas por ele, especialmente as exportadoras de commodities, devem sentir o baque.

Setores em alta

Um setor que promete se beneficiar do aumento do Auxílio Brasil é o varejo, especialmente o relacionado à venda de alimentos.

O setor de bancos segue sendo defensivo, mas é preciso cuidado com a inadimplência, que está alta.

Elétricas e saneamento são ações defensivas, mas é preciso ter cuidado com estatais em ano eleitoral.

Quer saber mais sobre cenários macroeconômicos, possibilidade de “pouso suave” e investimentos? Preencha o formulário que um assessor da EQI entrará em contato.

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