Rômulo Caldeira, dos campos da Itália ao mercado financeiro, conheça o novo influenciador da EQI
Do auge silencioso na Itália à reinvenção como educador financeiro, a trajetória incomum de Rômulo une intensidade, disciplina e propósito em uma nova fase fora do futebol
Rômulo Caldeira viveu uma carreira que o Brasil viu menos do que deveria.
No país, enfrentou o Santos de Neymar, Ganso e Robinho na final do Paulistão de 2010; na Europa, integrou o elenco da Juventus finalista da Champions de 2015 e conquistou títulos nacionais; e, na Itália, virou símbolo de intensidade e disciplina em Verona, Fiorentina, Genoa e Lazio. De volta ao Brasil, participou da reconstrução do Cruzeiro em um dos períodos mais turbulentos da história do clube.
Hoje, esses mesmos pilares — resiliência, estudo, método e constância — movem sua nova fase como educador financeiro, empreendedor e agora parceiro da EQI Investimentos.
Uma trajetória sólida e silenciosa, construída desde os 13 anos, quando passou fome em alojamento para não desistir do sonho, e que encontrou um novo propósito longe dos gramados.
A história de Rômulo Caldeira começa muito antes dos estádios lotados, das finais europeias e dos títulos na Itália.
Lá em Pelotas, no interior do Rio Grande do Sul, um garoto simples acreditava que o futebol poderia ser sua ponte para o mundo — mesmo quando nada ao redor parecia indicar isso.
Aos 13 anos, vivendo em alojamento de clube, passou fome e escondeu dos pais, temendo que o tirassem do lugar onde seu sonho morava.
“Eu sonhava grande, mas nem imaginava onde Deus iria me levar”, lembra.
Formado na base do Caxias, Rômulo Caldeira rodou por clubes médios até ganhar espaço no Juventude, onde viveria o primeiro grande golpe da carreira: foi dispensado aos 20 anos e passou seis meses sem clube, sem renda e sem respostas. Escolheu, mais uma vez, proteger a família da dor.
“Eu tinha certeza que uma porta iria se abrir”, diz. E abriu.
Entre 2007 e 2011, consolidou sua passagem pelo futebol brasileiro com experiências em Metropolitano, Chapecoense, Santo André, Cruzeiro e Atlético-PR. E foi justamente no Santo André que viveu um dos capítulos mais simbólicos da carreira: a campanha histórica do Paulistão de 2010, quando um time do ABC Paulista chegou à final contra o Santos de Neymar, Ganso e Robinho — considerado um dos ataques mais avassaladores da história recente do futebol brasileiro.
Ninguém esperava que o Santo André chegasse tão longe. Menos ainda que competisse de igual para igual com aquele Santos mágico. Mas competiu. Venceu a partida de volta por 3 a 2 e só não levantou a taça porque o regulamento premiava a melhor campanha da primeira fase.
“Aquilo ali foi marcante demais. Mostrou que você pode competir com qualquer gigante — desde que tenha intensidade, organização e coração”, lembra. Uma lição que ele carregaria pelo resto da vida.
O salto internacional viria logo depois, quando desembarcou na Itália para iniciar uma trajetória de nove anos na Serie A, onde consolidaria sua identidade como atleta de elite.
O fenômeno da intensidade — a Itália que o Brasil não viu
Divulgação Rômulo Caldeira
A Itália não apenas mudou a carreira de Rômulo — moldou sua identidade. Ali, ele descobriu que o futebol podia ser ainda mais exigente do que imaginava. Os treinos eram uma combinação de carga, precisão, disciplina e ciência do corpo que o colocaram em outro patamar.
“Na Itália, eu descobri um novo mundo. A intensidade dos treinos, a cobrança diária, o nível de profissionalismo… é outro patamar”, lembra.
Os números confirmam essa metamorfose. Ele foi, por quatro vezes, o atleta que mais percorreu metros acima de 25 km/h na Serie A — um indicador que mede explosão e resistência em alta velocidade. E atingiu, segundo testes realizados na época, o melhor desempenho de capacidade atlética dos últimos dez anos no futebol italiano.
A imprensa local o apontava como um dos melhores brasileiros a atuar no país na década — uma fama silenciosa que nunca ecoou com a mesma força no Brasil.
Foi no Verona que viveu a conexão mais profunda com uma torcida. Rômulo Caldeira virou símbolo não por dribles ou gols, mas por entrega, lealdade e constância.
“A torcida italiana não se apaixona pelo craque, mas pelo cara que dá a vida. E eu sempre fui esse cara”, disse Rômulo.
O gol contra o Vicenza, que ajudou a recolocar o Hellas Verona na Serie A, mudou sua carreira e sua relação com a cidade: “Até hoje, quando eu volto lá, sinto que deixei uma família.”
Juventus — títulos, excelência e o ano da Champions
Divulgação Rômulo Caldeira
A chegada à Juventus em 2014 representou o ápice: um time que colecionava títulos, empilhava grandes nomes e respirava alta performance. Para Rômulo Caldeira , era como cursar uma pós-graduação em competitividade.
“Estar na Juventus foi como estudar em Harvard do futebol. Aquele time era uma máquina”, destacou.
Era uma constelação de elite: Buffon, Pirlo, Tevez, Pogba, Vidal, Chiellini, Marchisio. E ele estava ali — treinando, competindo, compreendendo o padrão de excelência de um clube gigante. Naquela temporada, a Juventus conquistou a Serie A, a Coppa Italia e chegou à final da Champions League contra o Barcelona histórico de Messi, Suárez e Neymar.
Rômulo participou do elenco, viveu cada etapa e sentiu o ambiente de um time que brigava por tudo. Uma pubalgia severa, porém, limitou sua presença em campo ao longo da temporada e reduziu suas chances de ser utilizado em momentos decisivos. Ainda assim, a vivência marcou:
“Eu olhava para aqueles caras e pensava: esse é o nível. É aqui que eu tenho que estar.”
O auge de sua forma o levou à pré-lista da seleção italiana para a Copa do Mundo de 2014. Era o momento que poderia redefinir sua história — até que a pubalgia voltou.
“Foi o momento mais doloroso da minha vida profissional”, admite. “Eu estava convocado, vivendo o auge, e de repente… acabou.”
Ele conversou com o treinador e comunicou que não teria condições físicas de disputar o torneio. “Chorei muito, questionei, senti o peso da frustração.”
Aquela dor, que nasceu no corpo, chegou à alma. Rômulo guarda esse episódio como uma ferida que virou força — um aprendizado que, anos depois, o ajudaria na transição para fora do futebol.
Entre a tática e a identidade — a maturidade na Itália
Os anos na Itália completaram a formação de Rômulo não só como atleta, mas como pessoa. O convívio com diferentes culturas, a exigência física absoluta, a leitura tática e os desafios emocionais o tornaram mais resistente, concentrado e disciplinado.
Era o Rômulo completo: um jogador de elite na entrega, intenso na fisicalidade e cada vez mais consciente do mundo além do futebol.
Ronaldo Fenômeno e o respeito nos bastidores do Cruzeiro
Quando voltou ao Cruzeiro, em 2021, Rômulo encontrou um clube devastado — esportiva e financeiramente — e um ambiente emocionalmente desafiador. Vivenciou a reconstrução por dentro e acompanhou a mudança conduzida por Ronaldo Fenômeno.
As palavras do dono da SAF marcaram Rômulo profundamente:
“O cara é extremamente estudioso… com certeza vai continuar no futebol.”
O reconhecimento público confirmava o que companheiros já percebiam: Rômulo tinha repertório além das quatro linhas. O convite de Ronaldo para assumir um cargo na gestão — como supervisor ou diretor — coroou essa visão. Mas Rômulo já estava em outra fase.
“Eu fiquei honrado demais, porque vindo de quem veio… é diferente. Só que ali eu já estava numa transição interna. Queria construir algo fora do futebol.”, afirmou o ex-jogador.
A mudança de vida — quando o resultado deixa de definir quem você é
A decisão de parar não veio por falta de condição física ou oportunidades. Veio de uma reflexão:
“O resultado é a única coisa que o atleta não controla.”
Depois de quase duas décadas sob essa lógica — ser “bom” quando a bola entra e “ruim” quando ela não entra — Rômulo sentiu que precisava recuperar o controle da própria história. A família foi decisiva: ele queria presença, rotina, outro ritmo.
Foi quando decidiu encerrar a carreira por escolha, e não por necessidade.
O estudioso — o cara que lia sobre mercado financeiro no vestiário
A transição já estava sendo construída antes mesmo da aposentadoria. Enquanto muitos colegas conversavam sobre o jogo, carros ou redes sociais, Rômulo estudava finanças, comportamento e desenvolvimento pessoal.
“Eu observava atletas ganhando muito e terminando sem nada. E eu entendia que o dinheiro sem inteligência vira inimigo”, explicou.
Essa inquietação virou disciplina. A disciplina virou hábito. E o hábito virou projeto.
Com o tempo, ele percebeu que o conhecimento financeiro poderia se transformar em missão — especialmente para atletas que nunca tiveram orientação formal sobre dinheiro.
A formação financeira — do campo à ANBIMA
Rômulo entendeu que vivência não basta para orientar alguém. Era preciso ter base técnica e ética.
“Eu não posso ensinar o que eu não vivo. Não posso falar de investimentos se não entendo profundamente cada etapa”, detalhou Rômulo.
Decidiu então buscar certificações: CPA-10, CPA-20 e CEA.
Ao mesmo tempo, desenvolveu uma visão crítica sobre o mercado de cursos milagrosos:
“Analise se o cara mudou de vida com o que aplica — ou com o curso que te vende.”
Rômulo não queria ser apenas um ex-jogador influenciando pela fama. Queria influenciar pela competência.
A missão — salvar jogadores da ruína financeira
A educação financeira virou causa. Ele viu de perto histórias dramáticas: atletas que recebiam verdadeiras fortunas e, poucos anos depois, estavam emocionalmente e financeiramente arruinados.
“Não é falta de talento — é falta de direção”, afirma.
E o dado que repete com frequência é alarmante: 90% dos atletas perdem quase tudo cinco anos após parar.
O que ensina primeiro?
“Mentalidade. Organização. Entender o dinheiro antes de pensar em investir.”
A R8 Finanças nasceu dessa missão: transformar desconhecimento em autonomia e evitar que carreiras brilhantes terminem em frustração.
O empreendedor — Vimpori, rotina e vida real
Além da consultoria financeira, Rômulo também empreende. A Vimpori, sua empresa de importação de massas e molhos italianos, é um reflexo direto de suas raízes na Itália.
A empresa representa o que ele chama de “vida real”: constância, família, trabalho e propósito. Uma rotina longe da pressão insana dos resultados semanais.
O jogador intenso virou o empreendedor metódico — e isso não aconteceu por acaso.
A filosofia da confiança — a marca que o futebol não tirou
No meio da transição, o empresário Clóvis Tramontina disse algo que Rômulo nunca esqueceu:
“Tu já tens algo que qualquer marca leva anos pra construir: a confiança das pessoas”, afirmou.
Essa frase virou bússola. Para ele, confiança é o que conecta seu passado ao presente — e o que sustentará seu futuro.
“No final, a gente entrega exatamente o que entregou no futebol. De outra maneira, mas vai refletir”, destacou.
A EQI Investimentos enxergou em Rômulo o que sua trajetória sempre entregou: credibilidade, disciplina e propósito. Ele representa um perfil raro — alguém que viveu a alta performance no esporte, buscou formação técnica séria e hoje transforma conhecimento em impacto.
A parceria entre Rômulo Caldeira e a EQI simboliza a união de duas histórias guiadas pelo mesmo valor central: confiança.
O garoto que passou fome aos 13 anos para seguir sonhando hoje entra em campo novamente — desta vez, para transformar vidas com educação financeira.