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O que é marcação a mercado? É hora de apostar nela?

O que é marcação a mercado? É hora de apostar nela?

Redação EuQueroInvestir

Redação EuQueroInvestir

30 Abr 2022 às 10:00 · Última atualização: 30 Abr 2022 · 12 min leitura

Redação EuQueroInvestir

30 Abr 2022 às 10:00 · 12 min leitura
Última atualização: 30 Abr 2022

foto de mulher ao computador com calculadora

Reprodução/Pixabay

Você sabe o que é marcação a mercado? Ela pode ser amiga do investidor, favorecendo retornos que superem até mesmo a renda variável. No entanto, é preciso cautela, conhecendo o momento mais favorável de apostar nessa estratégia.

O artigo a seguir busca explicar melhor esse conceito de mercado. Siga na leitura e aproveite todo esse conhecimento!

O que é a marcação a mercado?

No mundo das aplicações financeiras, dois grandes grupos se destacam: o mercado de renda fixa e o mercado de renda variável. Muitas pessoas atribuem a variação negativa dos ativos apenas à renda variável, mas não é essa a verdade.

A depender de diversas condições, pode ser que o mercado de renda fixa apresente perdas para o investidor, ou seja, variações negativas. Por mais incrível que isso possa parecer, saiba que é possível acontecer.

Da mesma forma, se essas mesmas condições forem atendidas de modo favorável ao investidor, o rendimento alcançado pode ser tal que supere a renda variável. E um dos responsáveis por esse processo é a marcação a mercado.

No entanto, tenha em mente o fato de que não é todo o mercado de renda fixa que atende à condição exposta acima. É preciso que diversos fatores atuem em conjunto para que o que foi mencionado se concretize.

Mas note que saber disso é imprescindível até mesmo para não amargar prejuízos em uma aplicação de renda fixa que era tida como rentável.

Assim, podemos dizer que a marcação a mercado nada mais é do que um sistema de precificação de ativos e de cotas de fundos de investimento, ambos pertencentes ao mercado de renda fixa.

Qual é a funcionalidade da marcação a mercado?

Existem basicamente duas funcionalidades principais do mecanismo de marcação a mercado. A primeira delas está ligada às cotas de fundos de investimento de renda fixa.

Quando um investidor faz parte de um fundo dessa modalidade, ele deve fazer jus a todos os rendimentos e proventos que porventura os títulos do fundo vierem a receber.

Dessa forma, nenhum entrante novo deve receber os proventos passados, bem como os atuais precisam ter seu direito de recebimento assegurado.

Para que isso aconteça, é exercida a marcação a mercado na transferência de cotas. Esse evento se dá sempre que um cotista deixa um fundo e quando um novo cotista passa a fazer parte dele.

A outra função da marcação a mercado diz respeito aos títulos de renda fixa, sobretudo à modalidade dos prefixados.

Ocorre que é relativamente comum que um investidor precise resgatar sua aplicação antes do prazo de vencimento final. Por exemplo, um investidor que faz uma aplicação para resgate em 2035 e precise do dinheiro depois de 2 anos.

Nesse caso, o preço pelo qual o papel será vendido não será o da rentabilidade acumulada pelo tempo que o recurso passou aplicado. Não, de maneira alguma.

Em vez disso, o valor que o investidor obterá desse papel é baseado nas condições atuais do mercado (o secundário, diga-se de passagem) e o quanto o título vale nesse momento.

Isso ocorre porque a curva de juros está se movimentando a todo momento e, provavelmente, passado alguns anos o papel terá um valor no mercado secundário diferente daquele que tinha quando foi adquirido.

E é por meio da marcação a mercado que esse título será precificado.

Nesse ponto vale destacar duas observações: a primeira é que a marcação a mercado tem efeito apenas sobre papéis prefixados ou híbridos. Esses últimos porque contém uma parcela de rendimento no modelo prefixado.

A segunda observação importante é referente ao fato de que isso somente se concretizará se o investidor recorrer ao resgate antecipado do valor investido.

Isso quer dizer que a marcação a mercado não terá nenhum efeito sobre sua aplicação. Esperando até o dia do vencimento final, o investidor receberá exatamente a rentabilidade que contratou no ato da aplicação.

Como funciona o mecanismo de marcação a mercado?

Em um fundo de investimentos, a marcação a mercado tem o objetivo de evitar a transferência de riqueza entre os membros cotistas do fundo.

Isso ocorre porque, diariamente, o preço dos papéis que compõe a carteira do fundo são calculados de acordo com o preço de mercado, ou seja, se fossem liquidadas naquele mesmo dia.

Vale ressaltar também que esse tipo de mecanismo impede que um cotista precise aportar dinheiro a mais referente às cotas que possui em um fundo de investimento.

Da mesma forma, ele poderá sacar seu recurso pelo valor atual de mercado sempre que quiser, de acordo com as regras de resgate do fundo em questão.

Esse é um cálculo complicado, não é trivial de ser feito. É por isso que a instituição administradora do fundo fica a cargo disso e é remunerada para tal. O cálculo deve ser feito diariamente.

Já em relação aos títulos de renda fixa prefixados mantidos por um investidor de forma direta, a marcação a mercado levará em conta a curva de juros praticada pelo sistema financeiro no momento do resgate.

Logicamente, isso somente ocorrerá nos títulos prefixados e se houver o resgate antecipado.

Nesse momento, caso tenha havido movimentação da curva de juros para mais ou para menos, o valor do capital resgatado poderá ser maior ou menor do que o valor investidor.

Pode parecer confuso entender esse processo, mas quando fazemos analogia é perfeitamente possível entender essa movimentação.

E é exatamente desse entendimento que podem surgir boas oportunidades no mercado de renda fixa. Ao mesmo tempo, a posse desse conhecimento evita que erros sejam cometidos e haja perdas financeiras com isso.

Como a curva de juros exerce influência sobre a marcação a mercado?

É muito importante notar como a curva de juros define o mecanismo de marcação a mercado. Conforme já foi mencionado, isso acontece em títulos prefixados e nos híbridos, por conter uma parcela de juros prefixados também.

Ocorre que a taxa básica de juros do Brasil (assim como dos outros países) sofre variações ao longo do tempo. Elas são comandadas pelo Banco Central por meio de seu Comitê de Política Monetária, o Copom.

Esse comitê é responsável por manter a estabilidade da moeda no país. Para tanto, exerce seu poder de controlar a liquidez existente no mercado para que a inflação fique em níveis aceitáveis, tanto dentro da meta quanto possível.

E o mecanismo utilizado para tal é a fixação da taxa básica de juros, a Selic. A cada 45 dias ocorre uma reunião do Copom na qual é deliberado sobre a manutenção da taxa atual, sua elevação ou rebaixamento.

É nesse momento que fica caracterizada uma curva de juros, pois quando a decisão é pelo rebaixamento da Selic, isso ocorre ao longo de várias reuniões. Assim também é com sua elevação.

Normalmente, um ciclo desses leva meses e o movimento acaba por influenciar a marcação a mercado. Basta pensarmos que haverá diferença nas taxas de juros quando da compra e da venda de um papel.

Devido a essa variação imposta pela curva de juros, o pagamento dos títulos de renda fixa prefixados são alterados. Lembrando sempre que isso ocorre apenas para os resgates antecipados.

Para quem adquire um título prefixado e o segura até seu vencimento, não há nenhuma alteração nas taxas contratadas.

Como a marcação a mercado afeta os títulos de renda fixa prefixado?

Entender esse ponto é fundamental para decidir sobre como investir em uma estratégia que considera a marcação a mercado ou não. É justamente o efeito do mecanismo em títulos prefixados que pode trazer ganhos ao investidor.

E esses ganhos costumam ser elevados quando ocorrem. Geralmente, se assemelham ou até mesmo ultrapassam os rendimentos da renda varável, acredite.

Assim, é preciso ter em mente que o valor realmente fixado em um título pré é sua rentabilidade final. Ponto. Muitas pessoas confundem esse tópico e por isso não entendem exatamente o que acontece.

Vejamos um exemplo: imagine que um investidor aplique R$ 1.000,00 em um título prefixado que pague 10% ao ano, e que o vencimento desse papel ocorrerá em 5 anos. O valor bruto final, portanto, será de R$ 1.610,00.

Conforme dito, o valor final de R$ 1.610,00 está prefixado, não mudará de forma alguma.

No entanto, durante esses dois anos, a curva de juros se altera. A taxa Selic, quer era hipoteticamente de 13% ao ano quando o investidor adquiriu o título, agora é de 8% ao ano.

Isso ocorreu 1 ano depois da aplicação em nosso exemplo.

Sendo assim, o cenário que temos é um capital inicial de R$ 1 mil, uma taxa básica de juros que se movimentou de 13% para 8% ao ano e uma rentabilidade final “travada” de R$ 1.610,00.

Imagine então que o investidor decida por resgatar seu papel passado 1 ano, ou seja, ele não esperou findar o prazo de vencimento. Nesse momento entra em cena a marcação a mercado.

O ponto central do mecanismo é preservar o montante final, pois ele foi prefixado. Esse valor é de R$ 1.610. No entanto, a taxa de juros básica caiu e ela deve ser refletida na taxa de juros do prefixado contratado.

Lembra que essa taxa era de 10% ao ano? Pois é, agora não é mais. Isso ocorre porque a taxa básica de juros do país (Selic) caiu em 5 pontos percentuais. Por tabela, a taxa do prefixado também cai.

É nesse ponto que muita gente se confunde, pois pensa que a taxa de juros contratada é prefixada e nunca se move. Mas isso não é verdade, pois o que realmente é prefixado é o montante final acumulado.

Nesse momento acontece a “mágica”: como o valor final acumulado com a aplicação é de R$ 1.610,00 e não muda, ao baixar a taxa de juros para 5% ao ano, o valor inicial tem que subir para que o valor ao final seja o mesmo.

Entendeu?

Se R$ 1.000,00 aplicados a uma taxa de 10% ao ano durante 5 anos resulta em R$ 1.610, para ter os mesmos R$ 1.610 a uma taxa de 5% ao ano por mais 4 anos, o capital inicial deve ser de aproximadamente R$ 1.325,00.

Assim, ao resgatar antecipadamente o valor de R$ 1.000,00 investidos inicialmente, o investidor terá R$ 1.325,00 retornados, e não R$ 1.100,00 como muita gente pensa.

Este último valor seria o equivalente a uma rentabilidade de 10% ao ano aplicado a um capital inicial de R$ 1.000,00.

Assim, fazendo uso da marcação a mercado em um cenário de queda de juros, o investidor teria um retorno positivo de R$ 325,00. Percentualmente falando, esse é um rendimento de 32,50% sobre o valor inicialmente aplicado.

É ou não é uma rentabilidade similar (ou até mesmo superior) àquela conseguida no mercado de renda variável?

Esse é o momento certo para apostar na marcação a mercado?

O Brasil iniciou sua elevação da taxa básica de juros em março de 2021. Devido a uma alta expressiva da inflação decorrente da crise da pandemia, o Banco Central precisou tomar medidas em relação à política monetária.

Foi assim que por várias reuniões seguidas do Copom houve elevação da Selic, até que ela superasse a inflação e estivesse acima de seu valor. Isso já aconteceu, mas o mercado ainda espera novas altas.

Para completar o cenário, a guerra entre Rússia e Ucrânia foi deflagrada e a economia mundial se tornou incerta novamente.

O fato é que para apostar na marcação a mercado usando títulos prefixados é necessário que a curva de juros dê indícios de que parou de subir. Somente depois de alcançar seu topo é que um movimento descendente é possível.

É a partir daí que uma estratégia dessas pode se tornar favorável ao investidor, pois se não houver muito cuidado é possível amargar prejuízos.

infográfico com melhores investimentos para cada fase do ciclo econômico

Reprodução/EQI

 

Quais são os cuidados que o investidor deve ter ao apostar nessa estratégia?

Se você conseguiu entender como atua o mecanismo de marcação a mercado, deve ter percebido que ele só favorece o investidor se as taxas de juros estiverem em uma curva descendente.

Isso quer dizer que o efeito contrário também acontece. Ou seja, se a curva de juros estiver subindo, o capital retirado em um possível resgate antecipado será menor do que o valor investido inicialmente.

Portanto, é preciso ter o cuidado de certificar-se que a taxa de juros alcançou seu topo. Logicamente, é impossível ter a plena certeza disso, pois faz parte da política monetária do país.

No entanto, é possível ter uma boa noção, acompanhando o mercado. É dessa forma que evita-se prejuízos e pode-se ir em busca de lucros, ou seja, buscando entrar na posição no momento mais favorável.

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