O Pátria zerou sua participação remanescente de 6,9% na Smart Fit (SMFT3) após realizar um block trade que movimentou cerca de R$ 890 milhões, deixando de ser acionista relevante da rede de academias controlada pela família Corona. A informação foi divulgada pelo Brazil Journal.
Segundo a reportagem, o fundo vendeu 42,4 milhões de ações a R$ 21 por papel, com desconto em relação ao fechamento anterior, em uma operação intermediada pelo Bank of America (BAC; BOAC34) e pulverizada entre investidores locais e internacionais.
A zeragem da posição marca o desfecho de um processo de saída que vinha ocorrendo de forma gradual desde 2023, logo após o fim do período de lock-up.
Na avaliação da Ativa Research, o movimento já era esperado pelo mercado e, por isso, não altera os fundamentos da companhia, mas traz efeitos técnicos relevantes para a dinâmica do papel, especialmente em termos de liquidez e percepção de risco de oferta futura.
“O Pátria já vinha reduzindo sua participação desde o término do lock-up, por meio de block trades realizados ao longo dos últimos anos, o que tornava a saída total um evento esperado pelo mercado. Movimentos de desinvestimento por fundos de private equity costumam ocorrer de forma gradual e planejada, sem necessariamente indicar mudança na tese operacional da companhia. Nesse contexto, entendemos que a operação tem impacto neutro para os fundamentos da Smart Fit, mas positivo do ponto de vista de liquidez e redução de incertezas técnicas sobre o papel”, afirmou a Ativa Research, em relatório.
Venda do Pátria já era esperada após o lock-up
A saída do Pátria ocorre após aproximadamente 15 anos como investidor na Smart Fit, período no qual o fundo chegou a deter mais de 40% da companhia após aportes realizados entre 2012 e 2019.
Desde o IPO e o fim das restrições contratuais de venda, a estratégia já vinha sendo a redução progressiva da posição via operações estruturadas no mercado.
De acordo com a Ativa, esse tipo de movimento é típico no ciclo de investimento de fundos de private equity, especialmente em empresas maduras e já listadas em bolsa, nas quais a monetização do investimento passa a ocorrer por meio de ofertas secundárias e block trades.
“A dinâmica observada na Smart Fit é consistente com o comportamento histórico de fundos de private equity em empresas listadas, nos quais a saída ocorre ao longo do tempo e por meio de operações estruturadas, evitando impactos abruptos no mercado. Como as vendas anteriores já sinalizavam a intenção de desinvestimento, a zeragem da posição não representa surpresa relevante para os investidores, reforçando a leitura de evento técnico, e não fundamental”, destacou a casa.
Com a saída do Pátria, a estrutura acionária passa a ter a família Corona como maior acionista, com cerca de 14,9% do capital, enquanto CPPIB e GIC detêm aproximadamente 12,1% e 8,1%, respectivamente.
Além disso, recentemente a companhia informou a transição no conselho, com Edgar Corona assumindo a presidência, enquanto Daniel Sorrentino, sócio do Pátria, permanece como membro.
O que é overhang e por que a saída tende a reduzir a pressão nas ações
No mercado, o termo “overhang” é utilizado para descrever a percepção de que um grande acionista ainda possui um volume relevante de ações que pode ser vendido no futuro, criando uma pressão potencial de oferta sobre o papel.
Mesmo que a venda não ocorra imediatamente, a simples expectativa desse desinvestimento pode limitar o desempenho das ações, já que investidores antecipam possíveis novas ofertas no mercado.
No caso da Smart Fit, a participação remanescente do Pátria funcionava como um overhang técnico desde que o fundo iniciou a redução de posição, em 2023. Com a zeragem da fatia, essa incerteza tende a ser eliminada, reduzindo a percepção de pressão vendedora estrutural no papel.
“A saída definitiva do Pátria elimina parte relevante do overhang que acompanhava a tese desde o início do processo de desinvestimento. Com a retirada desse potencial vendedor estrutural do capital, a tendência é de melhora na dinâmica de negociação das ações, maior previsibilidade de fluxo e redução de um fator técnico que poderia limitar o múltiplo do papel, ainda que sem impacto direto na operação da companhia”, avaliou a Ativa.
Assim, embora não altere a tese operacional da empresa, o movimento pode contribuir para uma formação de preço mais alinhada aos fundamentos, sem o desconto implícito associado à expectativa de novas vendas relevantes.
Leia também:
O que é um block trade e como a operação foi estruturada
O block trade é uma operação de venda (ou compra) de um grande volume de ações realizada de forma estruturada, geralmente fora do pregão tradicional, com o objetivo de minimizar impactos abruptos no preço do ativo. Nessas transações, um banco coordenador organiza a colocação dos papéis junto a investidores institucionais, muitas vezes com um pequeno desconto em relação ao preço de mercado.
Na operação envolvendo a Smart Fit, foram vendidas 42,4 milhões de ações com desconto aproximado de 2% em relação ao fechamento anterior, em um leilão coordenado pelo Bank of America e distribuído entre investidores locais e estrangeiros .
Para a Ativa, a utilização desse formato reforça o caráter técnico da transação, já que permite a absorção do volume relevante de ações sem gerar distorções significativas no mercado secundário.
“Operações via block trade são instrumentos eficientes para a saída de grandes acionistas, pois concentram a oferta em um evento único e organizado, com alocação estruturada entre investidores institucionais. Isso tende a preservar a estabilidade do papel no mercado secundário e a melhorar a liquidez após a redistribuição das ações, reforçando a leitura de impacto mais técnico do que fundamental”, concluiu a casa.
Dessa forma, a zeragem da posição do Pátria tende a ser interpretada pelo mercado como um evento esperado e predominantemente técnico, com efeitos positivos sobre a liquidez e a remoção de um importante fator de overhang, mas com impacto neutro sobre os fundamentos operacionais da Smart Fit.






