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“Monstro do Leblon”: quem é Flávio Calp Gondim e no que ele vem investindo?

“Monstro do Leblon”: quem é Flávio Calp Gondim e no que ele vem investindo?

Redação EuQueroInvestir

Redação EuQueroInvestir

05 Fev 2022 às 19:00 · Última atualização: 24 Jun 2022 · 4 min leitura

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05 Fev 2022 às 19:00 · 4 min leitura
Última atualização: 24 Jun 2022

Pixabay

Antes da Faria Lima, em São Paulo, se tornar o polo do mercado financeiro, o bairro do Leblon, no Rio de Janeiro, chamava a atenção por movimentar bilhões de reais em suas carteiras com apenas 29 gestoras. Dentre elas, uma localizada na Rua Ataulfo de Paiva, a Ponta Sul Investimentos conta com apenas um cotista – Flávio Calp Gondim, também conhecido como “Monstro do Leblon” -, com peso suficiente para colocá-la entre as principais do Brasil. 

Conhecido pela sua discrição, há poucas informações disponíveis sobre a origem ou até mesmo a aparência de Gondim. Apesar disso, ele é um dos principais investidores do Brasil, com atuação de destaque na participação acionária do Banco Inter (BIDI11), Ambipar (AMBP3) e Notredame Intermédica (GNDI3).

No entanto, os últimos dois anos foram de dificuldades para a Ponta Sul Investimentos. Operando alavancado em ao menos cinco vezes, o Monstro do Leblon possuía uma confortável posição de R$ 5 bilhões em janeiro de 2020. Com o início da pandemia de Covid-19 em março, o fundo derreteu de R$ 5,6 bilhões para R$ 1 bilhão, uma queda de patrimônio de 55,3%. 

Essa diminuição chamou a atenção da mídia. Em menos de três meses, um fundo de investimentos de destaque nos últimos anos perdeu cerca de R$ 4,6 bilhões. 

Para entender melhor a história, vamos começar pelo início do fundo Ponta Sul Investimentos.

Início da história

A Ponta Sul Investimentos foi fundada em 2012, em uma economia fragilizada e com baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de apenas 0,3%. Mesmo assim, Gondim fez um aporte de cerca de R$ 250 milhões no fundo. 

Enquanto o Ibovespa mergulhou de cabeça dos 65,8 mil pontos para 35,7 mil durante a recessão entre os anos de 2014 a 2016, a Ponta Sul conseguiu se manter estável no mercado. 

Sua quota caiu, de fato, de 1,34 em dezembro de 2012 para 1,2 em janeiro de 2016. Ainda assim, bem melhor do que a média em um mercado onde 90% dos gestores não bateu nem o CDI no período.

Assim como outros players, o fundo de investimentos se beneficiou do rally pós-impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Em setembro de 2018, antes do rally pós-eleição, o fundo possuía uma quota de 2,17. Já em janeiro de 2019, chegou aos 4,13.

Ponta Sul e o sucesso do Banco Inter

Mesmo operando com alavancagem e com desempenho satisfatório, o auge da Ponta Sul foi com a operação acionária do Banco Inter. Montando posições alavancadas (em suma, tomando crédito para aumentar sua posição), o Monstro do Leblon conseguiu ter cerca de 20% do banco da Família Menin, que também possui a MRV (MRVE3) e a CNN Brasil. 

O sucesso dos bancos digitais no Brasil impulsionou o crescimento do Banco Inter, que transformou a fintech em um dos principais cases de sucesso da bolsa do últimos anos, que saltou de R$ 13,99, em julho de 2019, para R$ 81,30, em julho de 2021. 

Embora o sucesso do Banco Inter tenha sido o ápice da Ponta Sul, ele também representa o fundo do poço. 

Queda na pandemia, boa recuperação e derretimento

Após a onda de sucessos, a pandemia causou um estrago tremendo no desempenho da carteira da Ponta Sul. Mas, ela ainda conseguiu uma performance de recuperação nos meses seguintes, com 27% mensais no primeiro ano da pandemia, depois da crise de março citada no início do texto. 

Para efeito de comparação, o considerado maior investidor do século, Warren Buffett, entregou 19% ao ano (por mais de 5 décadas).

O fundo conseguiu atingir a marca de R$ 9,7 bilhões em julho de 2021, impulsionada por Banco Inter, Ambipar e Notredame Intermédica, mas sofreu bastante com o fraco desempenho do Ibovespa no segundo semestre. 

Para se ter uma ideia das quedas das ações de destaque da Ponta Sul, a Notredame Intermédica teve uma desvalorização de 21,46%, enquanto que a Ambipar derreteu 44,28%. Mas o pior desempenho foi do Banco Inter, que mergulhou 70,88%, caindo de R$ 84,90 para R$ 24,72. 

O aumento da inflação e da taxa de juros, que atrapalha as operações das empresas de tecnologia e bancos digitais como o Banco Inter, aliado à queda na renda do brasileiro explicam a diminuição acentuada de 83% no fundo da Pontal Sul no final de 2021. 

2022 começa ruim para o Ponta Sul

2022 promete ser um ano complicado para a Ponta Sul. No primeiro mês, o fundo já sofreu uma desvalorização de 20%, enquanto que o Ibovespa valorizou mais de 7% em janeiro. 

De acordo com boatos do mercado financeiro, com o volume de negociações envolvendo o Banco Inter, outros investidores estariam montando posições contrárias à Ponta Sul, se aproveitando da sua alavancagem excessiva. Em consequência disso, os papéis do banco mineiro se desvalorizam e forçam que o fundo de Gondim tenha que fechar posições. 

Sem contar que a intenção de listar o Banco Inter em Nova York, se aproveitando dos múltiplos maiores pagos lá fora, não deu certo. 

Ademais, as outras empresas, como Ambipar e Notredame Intermédica, também enfrentam um nível de desvalorização alto.

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