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Setor de combustíveis: margens estão mais pressionadas apesar de mercado aquecido

Setor de combustíveis: margens estão mais pressionadas apesar de mercado aquecido

O principal destaque do relatório foi justamente o salto de 156% nas importações consolidadas de diesel em julho

O setor de combustíveis apresentou aceleração nas vendas em julho, com os volumes de diesel, gasolina e etanol avançando 7% em relação a junho e 2% na comparação anual, para 12,3 milhões de metros cúbicos. Os dados preliminares da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), analisados pelo Safra, apontam para um mercado mais aquecido, embora as distribuidoras tenham enfrentado pressão nas margens e uma forte alta das importações de diesel.

O principal destaque do relatório foi justamente o salto de 156% nas importações consolidadas de diesel em julho, na comparação mensal. Segundo o Safra, o movimento reflete padrões sazonais e foi impulsionado principalmente pelo forte aumento dos volumes provenientes dos Estados Unidos. As importações de diesel de origem russa também cresceram, mas em ritmo bem menor, de 6% no mês.

A combinação de maior demanda e aumento das importações ocorre em um cenário de preços domésticos ainda abaixo da referência internacional. Desde o último relatório, a Petrobras (PETR4) manteve inalterados os preços do diesel e da gasolina. Com isso, os preços praticados no mercado brasileiro apresentam atualmente um desconto de 85% em relação ao preço de paridade de importação (IPP) no diesel e de 50% na gasolina.

Margens das distribuidoras recuam

Apesar do crescimento dos volumes vendidos, as margens das distribuidoras diminuíram desde a última atualização do Safra. A margem do diesel recuou R$ 0,03 por litro, enquanto a da gasolina caiu R$ 0,05 por litro.

O movimento coloca pressão sobre a rentabilidade das empresas do setor de combustíveis, especialmente em um momento em que o mercado registra maior participação de produtos importados.

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Entre as principais distribuidoras, os dados também mostram desempenhos diferentes em participação de mercado. A Vibra (VBBR3) perdeu 20 pontos-base, para 22,0%, enquanto a Raízen (RAIZ4) recuou 10 pontos-base, para 18,7%. A Ipiranga foi na direção contrária e ganhou 30 pontos-base, chegando a 18,0%.

As demais distribuidoras, somadas, mantiveram participação de 41,3%.

Biodiesel também entra no radar

Outro ponto acompanhado pelo Safra é o comportamento dos preços do biodiesel. O preço médio acumulado de agosto até o momento está 3% acima da média registrada em julho.

A evolução é relevante para o setor porque o biodiesel compõe a mistura obrigatória do diesel vendido no país e, portanto, influencia a estrutura de custos e as margens das distribuidoras.

No geral, os dados de julho mostram um setor de combustíveis com demanda mais forte, mas que continua enfrentando desafios do lado das margens. Para as empresas, o avanço dos volumes é positivo, mas a combinação de preços domésticos abaixo da paridade internacional, aumento expressivo das importações de diesel e custos do biodiesel será determinante para o desempenho financeiro nos próximos meses.

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