Home
Notícias
Moedas
Euro hoje sobe a R$ 5,66 mesmo com crise na França

Euro hoje sobe a R$ 5,66 mesmo com crise na França

Moeda avança 0,37% frente ao real, enquanto juros franceses superam 5% e bolsas europeias fecham em queda

O euro hoje (22) operava em alta frente ao real por volta das 14h49. A moeda europeia era negociada a R$ 5,6644, com valorização de 0,37%, equivalente a R$ 0,0211.

A alta do euro contra o real ocorria apesar da forte aversão ao risco nos mercados europeus. O Stoxx 600, que reúne algumas das principais empresas da região, encerrou o dia com queda de 1,05%, aos 637,74 pontos.

Na Alemanha, o DAX recuou 1,07%. O CAC 40, da França, caiu 1,39%, enquanto o FTSE MIB, da Itália, registrou a maior perda entre os principais índices, com baixa de 2,54%. Em Londres, o FTSE 100 cedeu 0,26%.

As perdas se espalharam principalmente pelos setores bancário, de serviços públicos e de viagens e lazer. O petróleo elevado, a piora dos custos de financiamento da França e novos sinais de pressão sobre a indústria europeia reduziram o apetite por ativos da região.

A valorização no par EUR/BRL não significa necessariamente que a moeda europeia tenha se fortalecido de maneira generalizada. A cotação disponível no mercado de moedas mede a força relativa entre euro e real. Assim, o euro pode avançar no Brasil mesmo quando enfrenta pressão diante de outras divisas.

Publicidade
Publicidade

Crise fiscal na França pressiona mercados

O principal foco de preocupação permanecia na França. O rendimento do título público francês de dez anos, conhecido como OAT, subiu quase 6 pontos-base e chegou a 5,0514%, mantendo-se acima da marca de 5%.

A taxa alcançou o maior nível em aproximadamente 24 anos, reflexo das dúvidas sobre a capacidade do governo francês de controlar o déficit orçamentário e estabilizar a trajetória da dívida pública. Juros maiores também encarecem o crédito para empresas e consumidores, com potenciais efeitos negativos sobre investimentos, consumo e crescimento econômico.

Os protestos em massa e os tumultos registrados durante o fim de semana agravaram essas preocupações. Os investidores avaliam que o desgaste político pode dificultar a aprovação de reformas fiscais e de medidas impopulares necessárias para reduzir os gastos públicos.

O aumento da diferença entre os juros franceses e os títulos alemães, considerados a principal referência de segurança da zona do euro, mostra que o mercado passou a exigir um prêmio maior para financiar a França.

Leia também:

Gás caro aumenta pressão sobre a indústria europeia

A alta do gás natural também reforçou as preocupações com a atividade e a inflação na Europa. A norueguesa Yara informou que reduzirá ainda mais sua produção de fertilizantes durante o quarto trimestre, diante da escalada dos custos energéticos.

O gás é utilizado tanto como matéria-prima quanto como fonte de energia na fabricação de fertilizantes. No terceiro trimestre, a companhia já havia reduzido a produção em 150 mil toneladas de amônia e 115 mil toneladas de produtos acabados, principalmente em sua fábrica de Ferrara, na Itália. No acumulado do ano, a produção de amônia caiu 11%.

Além de afetar as margens da indústria europeia, o encarecimento dos fertilizantes pode elevar os custos agrícolas e pressionar os preços dos alimentos nos próximos meses.

O noticiário francês também acompanhou a confirmação do primeiro caso conhecido de infecção humana pelo vírus Shamonda, anteriormente identificado apenas em animais. O paciente tinha o sistema imunológico comprometido e morreu posteriormente, mas ainda estão sendo investigados o papel do vírus e as circunstâncias do óbito.

As autoridades sanitárias informaram que, até o momento, não existe risco reconhecido para a população em geral. O caso segue monitorado pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças.

Na frente geopolítica, o Kremlin afirmou ter percebido maior participação dos países europeus nas tentativas de alcançar um acordo de paz na Ucrânia. A sinalização ofereceu um contraponto moderadamente positivo, mas não foi suficiente para reverter a cautela provocada pelos juros franceses, pelos preços de energia e pelas quedas nas bolsas.