O Bitcoin hoje (10) opera em alta, mas ainda perto da região de suporte dos US$ 60 mil. A recuperação ocorre em uma sessão marcada pela expectativa em torno da inflação ao consumidor dos Estados Unidos, que pode influenciar as apostas para os juros americanos e o apetite por ativos de risco.
Por volta das 10h53, no horário de Brasília, o Bitcoin subia 0,81%, cotado a US$ 62.190,46, segundo dados do Google Finance.
Para o Mercado Bitcoin, o BTC segue testando a região dos US$ 60 mil, mesmo após a reação pontual desta quarta-feira. O ativo ainda acumula queda relevante na semana e permanece abaixo da média móvel de 200 semanas, localizada em torno de US$ 62 mil.
Bitcoin hoje: US$ 60 mil no radar
O principal ponto técnico observado pelo mercado continua sendo a defesa da faixa dos US$ 60 mil. Segundo o MB, o Bitcoin voltou a mostrar capacidade de encontrar compradores nessa região, que funciona como suporte psicológico e técnico.
Apesar disso, o mercado ainda não trata o movimento como uma recuperação consolidada. O BTC continua pressionado no acumulado recente e as altcoins também acompanham o ambiente de cautela.
A dominância do Bitcoin permanece próxima de 58,6%, indicando que o desempenho do BTC e das altcoins está relativamente parecido neste momento. Entre os principais ativos, o Ethereum negocia perto de US$ 1.620, enquanto a Solana opera na região dos US$ 63, segundo a análise do MB.
Inflação dos EUA no centro
O principal evento do dia é a divulgação do CPI, índice de inflação ao consumidor dos Estados Unidos referente a maio. A leitura é importante porque pode alterar as expectativas para a política monetária do Federal Reserve.
O mercado espera uma aceleração da inflação cheia em 12 meses, de 3,8% para 4,2%. Já o núcleo, que exclui itens mais voláteis, pode subir de 2,8% para 2,9%.
Se os dados vierem acima do esperado, a pressão sobre ativos de risco pode aumentar. Nesse cenário, o Bitcoin pode voltar a testar a região dos US$ 60 mil com mais força. Por outro lado, uma inflação mais branda pode aliviar parte da pressão sobre a criptomoeda.
A preocupação vem em um momento no qual o mercado de trabalho americano ainda mostra força. Com emprego resiliente e inflação distante da meta de 2%, investidores passaram a precificar maior chance de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos.
ETFs seguem negativos
Os ETFs à vista de Bitcoin também continuam no radar. Segundo o Mercado Bitcoin, os fundos registraram mais um dia de saída líquida, acumulando retiradas em 20 dos últimos 23 pregões.
O total já ultrapassa US$ 5,5 bilhões em saídas. Ainda assim, o ritmo da pressão diminuiu. Na última sessão, os ETFs tiveram fluxo negativo de US$ 77,4 milhões, abaixo dos volumes de US$ 300 milhões a US$ 500 milhões observados em dias anteriores.
A desaceleração das saídas ainda não representa uma reversão, mas reduz parte da pressão vendedora que vinha pesando sobre o mercado nas últimas semanas.
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Geopolítica pesa
O cenário no Oriente Médio também segue como fator de cautela. De acordo com a análise do MB, os Estados Unidos realizaram bombardeios contra o Irã após a derrubada de um helicóptero Apache próximo ao Estreito de Ormuz. Em resposta, o Irã atacou instalações militares americanas no Bahrein.
Embora o cessar-fogo siga formalmente em vigor, os episódios recentes mostram um ambiente ainda frágil. O risco é que a escalada atrase a normalização no Estreito de Ormuz, rota importante para o transporte global de petróleo.
Mesmo com a tensão, a reação do petróleo foi menor do que parte do mercado esperava. Ainda assim, o tema segue relevante para o Bitcoin porque pode afetar inflação, juros e apetite por risco.
Longo prazo acumula
Enquanto o curto prazo segue pressionado, investidores de longo prazo continuam acumulando Bitcoin. Segundo o MB, esse grupo adicionou 3,37 mil BTC no último dia. Desde 5 de junho, o total acumulado chega a 18,67 mil BTC.
O dado sugere que parte dos investidores mais pacientes enxerga a região próxima dos US$ 60 mil como uma faixa mais atrativa de preço. Isso não elimina o risco de novas quedas, mas mostra que há demanda estrutural aparecendo nos momentos de maior estresse.
Além disso, o Fear & Greed Index permanece em 9 pontos, nível de medo extremo. Leituras abaixo de 25 já indicam pessimismo elevado no mercado. O indicador mostra que o humor segue bastante deteriorado, mesmo com a alta pontual do Bitcoin nesta quarta-feira.
Daqui para frente, o mercado deve acompanhar a reação ao CPI dos Estados Unidos, os fluxos dos ETFs e os desdobramentos no Oriente Médio. Esses fatores devem definir se o Bitcoin conseguirá sustentar a recuperação ou se voltará a testar a região dos US$ 60 mil.






