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Minério de ferro em 2022: confira as perspectivas para a commodity

Minério de ferro em 2022: confira as perspectivas para a commodity

Redação EuQueroInvestir

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24 Dez 2021 às 10:00 · Última atualização: 08 Jun 2022 · 6 min leitura

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24 Dez 2021 às 10:00 · 6 min leitura
Última atualização: 08 Jun 2022

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O minério de ferro, de acordo com a Reuters, deverá ser o principal produto da pauta de exportação do Brasil. Nesse sentido, as medidas de estímulo da China conseguiram sustentar o preço da tonelada acima de US$ 110 no último trimestre deste ano.

Já as perspectivas para o minério de ferro em 2022 devem ser impactadas pela instabilidade do mercado imobiliário chinês, segundo analistas. Para o banco suíço UBS, o cenário macro para a commodity será mais fraco em 2022 do que neste ano. Segundo a instituição, mesmo que os estímulos ajudem evitar um “pouso forçado chinês”, o crescimento do país deverá continuar arrefecendo.

A seguir, saiba o que especialistas estão projetando para o desempenho do minério de ferro em 2022.

Perspectivas para o minério de ferro em 2022

Segundo a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), as exportações do minério de ferro em 2022 deverão atingir cerca de US$ 29 bilhões. Isso significa uma queda de 33,7% quando comparado a 2021.

De acordo com relatório de dezembro do BTG Pactual (BPAC11), as importações de minério de ferro da China, principal importador da commodity, reverteram a tendência de alta que vinha desde 2019. Porém, espera-se que a atuação do governo para conter a produção de aço possa arrefecer com a proximidade das olimpíadas de inverno, que serão realizadas em Pequim, em 2022. Além disso, o aumento da demanda pelo metal ao redor do mundo também deve colaborar para a manutenção dos volumes vendidos.

Há alguns meses, o mercado previa que houvesse uma queda brusca na demanda pela commodity, por causa do setor imobiliário chinês. No entanto, analistas reavaliaram essa posição. Isso porque os planos do país de reduzir as restrições a esse setor e estimular a economia podem aumentar a necessidade de produção de aço.

Estímulos na China

Segundo Yuri Pereira, analista de commodities da EQI Investimentos, os preços do minério de ferro têm oscilado muito em função de potenciais estímulos na China.

“As preocupações com o mercado imobiliário por lá pesaram muito. Além disso, a China vem cortando a produção de aço para atingir o target de emissão e tornar a atividade economia mais alinhada ao meio ambiente”, diz o analista.

Cerca de 99% do minério de ferro do mundo é usado para produzir aço. Toda essa produção foi desacelerada no segundo semestre de 2021. Com a freada da demanda chinesa por aço, o preço do minério de ferro caiu bastante. No entanto, outros países começaram a produzir mais aço, o que voltou a equilibrar o mercado.

“É preciso lembrar que o mercado de aço opera em concorrência perfeita. Ou seja, se a China desligar a capacidade, em algum lugar do mundo teremos capacidade sendo ligada ou adicionada. É uma commodity de concorrência perfeita, independentemente da demanda. Como outros países turbinaram a produção, isso fez com que a oferta por minério de ferro não caísse tanto quanto era de se esperar, se só considerássemos os impactos de China. Olhando por esse aspecto, a produção de aço no resto do mundo está indo bem, dadas as circunstâncias. Por isso, acredito em minério de ferro forte para 2022, em torno dos US$ 100 a tonelada, justamente por causa desses estímulos”, conclui o analista.

Expectativa de preços resilientes

Para o BTG Pactual, o minério de ferro parece ter alcançado resiliência de preços entre US$ 90 e US$ 105 a tonelada. Para a instituição, as condições que deram fundamento à formação de preço têm perspectivas futuras mais positivas.

Nesse sentido, o segmento imobiliário e a desaceleração econômica da China ainda inspiram cautela. “No entanto, o crescimento da demanda internacional por aço e a postura do governo chinês, aparentemente mais aberta à reduzir a pressão sobre o setor siderúrgico doméstico, nos fazem esperar crescimento da demanda geral por commodities metálicas”, dizem os analistas de Research do banco.

Outro aspecto apontado pelo BTG é o possível afrouxamento das medidas ambientais com a proximidade das olimpíadas de inverno no país. Por outro lado, a possível redução da produção de minério de ferro na Austrália pode ser positiva sob o aspecto da oferta.

E qual será o preço do minério de ferro em 2022?

Em 15 de dezembro, os analistas do UBS disseram em nota que esperam redução na demanda e aumento na oferta da commodity ainda no final de 2021. Dessa forma, os preços cairiam abaixo de US$ 100 e se manteriam ainda mais baixos até 2022, na média de US$ 85 a tonelada.

Por sua vez, o banco holandês ING avalia que o preço do minério de ferro fique em torno de US$ 110/tonelada até o primeiro trimestre de 2022. No entanto, a expectativa é de que recue para US$ 95/t no final do ano.

De acordo com Wenyu Yao, estrategista sênior de commodities do ING, os estímulos do governo chinês não deverão ser suficientes para que o preço do minério retorne ao antigo patamar de US$ 200. Isso porque o foco da China não é uma recuperação acentuada, mas sim manter um crescimento estável.

O estrategista menciona também o movimento da política chinesa em direção à descarbonização da economia. Isso também limitaria a demanda de médio prazo por minério de ferro no país.

Finalmente, aponta os riscos de interrupção na cadeia produtiva devido à variante Ômicron, que pode ocasionara novos lockdowns ao redor do mundo. Por todos esses motivos, acredita que a produção de aço da China não deve retornar ao nível do primeiro semestre de 2021. Para o ING, os preços médios do minério de ferro em 2022 devem ficar, em média, em US$ 100 a tonelada.

 

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