O ouro hoje (19) disparava 3,26% por volta das 16h45, com os contratos futuros negociados nos Estados Unidos cotados a US$ 4.564,60 por onça-troy. O avanço de US$ 144 levou o metal ao maior nível em mais de dois meses.
O movimento ganhou força após o Tesouro dos Estados Unidos anunciar que dobrará o tamanho de algumas operações de recompra de títulos públicos de longo prazo. A medida derrubou os juros americanos e enfraqueceu o dólar, dois fatores que aumentam a atratividade do ouro.
Por que o ouro disparou hoje?
O Tesouro americano elevará de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões o volume de cada operação destinada à recompra de títulos com vencimentos entre dez e 30 anos. A mudança valerá entre 9 de setembro e 4 de novembro.
A iniciativa foi anunciada um dia depois de uma forte venda de títulos levar o rendimento do Treasury de 30 anos a 5,34%, maior patamar desde 2007. Após a decisão, a taxa chegou a recuar para 5,187%, registrando sua maior queda diária desde o final de junho.
“Quando o Tesouro anuncia que vai comprar ativamente esses papéis, ele gera uma demanda artificial que eleva o preço dos títulos”, explica Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad.
Como preços e rendimentos dos títulos caminham em sentidos opostos, o aumento da demanda reduz os juros oferecidos pelos papéis. Esse movimento favorece o ouro, que não paga rendimentos periódicos e se torna relativamente mais atraente quando as taxas recuam.
O índice DXY, que compara o dólar com uma cesta de moedas fortes, também caía aproximadamente 0,8%. A desvalorização da moeda norte-americana torna o ouro mais barato para investidores que utilizam outras divisas e amplia a procura internacional pelo metal.
A queda dos juros e do dólar interrompeu a pressão observada sobre o ouro desde o agravamento da guerra no Oriente Médio. A alta do petróleo vinha reforçando os temores de inflação e sustentando os rendimentos dos Treasuries, reduzindo a competitividade do metal diante dos títulos americanos.
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Ata do Fed mantém cautela sobre os juros
Apesar da disparada do ouro, a ata da última reunião do Federal Reserve mostrou que parte dos dirigentes ainda considera necessário elevar os juros caso a inflação não recue em direção à meta de 2%.
Segundo a Reuters, vários integrantes do banco central estavam preparados para defender uma alta na reunião de julho. O mercado, contudo, atribuía uma probabilidade de aproximadamente 65% à manutenção das taxas em setembro.
Uma eventual retomada do aperto monetário poderia limitar a valorização do ouro, pois elevaria novamente o custo de oportunidade de manter um ativo que não oferece juros. O avanço desta quarta-feira, porém, não ficou restrito ao metal.
A prata subia perto de 4%, cotada a US$ 65,80 por onça, enquanto a platina avançava 5,1%, para US$ 1.800,02. O paládio registrava valorização de 2,7%, negociado a US$ 1.325,12.






