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O que aconteceu com a Raízen?

O que aconteceu com a Raízen?

No mercado, os bonds registraram yields de aproximadamente 18% ao ano, típicos de empresas em forte estresse financeiro

A Raízen (RAIZ4) está atravessando uma situação delicada no mercado financeiro. Recentemente, a empresa confirmou a contratação de assessores para auxiliar em medidas estratégicas para aliviar a pressão da dívida.

Na sequência, veio o rebaixamento de rating pelas agências Fitch, S&P e Moody’s, citando piora nas métricas de crédito e baixo suporte dos acionistas. A deterioração provocou uma desvalorização brutal nos títulos de dívida da companhia, com alguns bonds caindo de 80 para 45 centavos de dólar em apenas uma semana.

Deterioração

Segundo os analistas Yuri Machado e Roberto Pasqualini, do Banco Safra, “a deterioração do perfil de crédito ao longo de 2025–26 decorre de uma combinação de não entrega de desalavancagem, queima de caixa sequencial e piora nas margens do segmento Açúcar e Etanol, criando um descompasso entre uma recuperação almejada pela companhia e o que de fato aconteceu”.

Embora a Raízen mantenha R$ 18,6 bilhões em caixa e R$ 5,3 bilhões em linhas rotativas, os analistas alertam que “essa posição funciona mais como um amortecedor temporário de curto prazo do que como um indicativo de melhora estrutural, dado que a operação segue consumindo caixa”.

Os números refletem a gravidade da situação: EBITDA anual de R$ 10,8 bilhões com margem de apenas 4,2%, prejuízo líquido de R$ 9,3 bilhões e queima de caixa de R$ 10,6 bilhões no último período. A alavancagem atingiu 5,1 vezes o múltiplo da Dívida Líquida/EBITDA, com menor rentabilidade na produção, queda nos volumes de etanol e açúcar, e resultado financeiro negativo elevado pressionado pelo custo da dívida.

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Perspectivas para a Raízen

Os analistas são categóricos: “apesar da forte posição de caixa, situação da Raízen combina estrutura de capital alavancada, operacional pressionado no segmento Açúcar e Etanol e geração operacional de caixa insuficiente para arcar com o serviço da dívida e capex”.

A venda de ativos pode adicionar até R$ 15 bilhões, considerando as vendas já realizadas de R$ 4,3 bilhões mais a operação na Argentina. Contudo, não há confirmação de novos desinvestimentos ou aportes dos acionistas.

No mercado, os bonds registraram yields de aproximadamente 18% ao ano, típicos de empresas em forte estresse financeiro. As ações operam entre R$0,77-0,85, consolidando-se como penny stock. As agências de rating destacam um muro de vencimentos de R$10,5 bilhões nos próximos 18 meses e ônus de juros de R$9,5 bilhões que continuará drenando liquidez.