O Mercado Livre (MELI34) anunciou nesta terça-feira (24) um investimento recorde de R$ 57 bilhões no Brasil para 2026, alta de aproximadamente 50% em relação ao ano anterior. O aporte reafirma o país como a principal aposta estratégica da companhia e reforça sua posição de liderança no e-commerce e nos pagamentos digitais da América Latina.
“O Brasil já responde por mais da metade das receitas da companhia, e esse aumento na alocação de capital sinaliza o foco no crescimento estrutural de longo prazo do mercado”, afirmam Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendon, analistas do BTG Pactual.
Logística como vantagem competitiva
A maior fatia do investimento será direcionada à infraestrutura logística, com expansão de centros de distribuição e capacidade de entrega de última milha. A estratégia reforça o controle da companhia sobre a cadeia de entrega — fator determinante para melhorar a experiência do cliente e aumentar a frequência de compras.
“A densificação logística contínua deve comprimir ainda mais os prazos de entrega e gerar alavancagem operacional ao longo do tempo, fortalecendo a vantagem estrutural do Mercado Livre frente aos concorrentes”, destacam os analistas do BTG.
Apesar do cenário macroeconômico ainda desafiador – marcado por juros elevados e poder de compra pressionado -, a companhia aposta em suas vantagens de escala para ampliar o fosso competitivo.

Mercado Pago ganha força
Outro pilar central do investimento é a expansão do Mercado Pago, com foco em crédito para consumidores e pequenas e médias empresas. A fintech mira segmentos ainda pouco atendidos pelo sistema financeiro tradicional, como PMEs e consumidores desbancarizados.
“Vemos o negócio de fintech como um dos principais motores de lucro no futuro, com contribuição crescente para a rentabilidade geral e o retorno sobre o capital investido”, afirmam Guanais, Cesquim e Cendon.
A estratégia amplia a monetização do ecossistema digital da companhia, reduzindo a dependência das taxas de marketplace.
Empregos e impacto econômico
O Mercado Livre prevê a criação de aproximadamente 10 mil novos empregos no Brasil em 2026, elevando o quadro total de funcionários no país para mais de 70 mil pessoas.
“Esse investimento sublinha o papel do Mercado Livre como um dos principais habilitadores da economia digital brasileira, apoiando tanto consumidores quanto pequenas empresas”, ressaltam os analistas.
No curto prazo, as margens podem seguir pressionadas pelo elevado nível de reinvestimento. No entanto, o BTG mantém visão construtiva sobre a companhia.
“Vemos esse movimento como gerador de valor no médio e longo prazo, reforçando o posicionamento dominante do Mercado Livre no e-commerce e nos pagamentos digitais da América Latina”, concluem Guanais, Cesquim e Cendon.






