Os preços da gasolina e diesel estão defasados em relação ao mercado externo. Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), na manhã desta quinta-feira (06), a gasolina vendida nas refinarias da Petrobras (PETR3; PETR4) está em média 9% abaixo da paridade internacional, com uma necessidade de reajuste de R$ 0,31. No diesel, os preços estão 8% menores do que no exterior, com potencial de aumento de R$ 0,43.
O diesel da Petrobras é vendido a R$ 4,89 o litro, em média, desde o dia 19 de setembro. O litro da gasolina está em R$ 3,53 desde 1º de setembro.
A partir de 22 de setembro, o barril de petróleo tipo Brent, principal referência para negociação da commodity, está em alta. Ontem, o barril para dezembro fechou em US$ 91,61, em alta de 1,99%. Nesta quinta, por volta das 10h20, o ativo estava cotado a US$ 93,11.
“Nas últimas semanas, quando houve redução [no preço internacional], a Petrobras acompanhou e também diminuiu nas refinarias. Então o que se espera é que a empresa repasse agora os aumentos, com anúncios de reajustes nos preços tanto do diesel quanto da gasolina nas próximas horas ou, no máximo, dias”, disse o presidente da Abicom, Sérgio Araújo, para uma reportagem do Valor Econômico.
Para a consultoria StoneX, a defasagem nos preços é ainda maior. O diesel e a gasolina estão 8,4% e 6,4% abaixo do mercado, respectivamente. Apesar deste cenário, o consultor de gerenciamento de riscos da StoneX, Pedro Shinzato, avalia que a Petrobras não irá repassar estes aumentos para o consumidor a curto prazo.
“A Petrobras tem sido muito cautelosa e espera o mercado internacional chegar a um novo patamar antes de um reajuste. E, quando reajusta, a empresa tem feito isso apenas parcialmente”, diz o consultor para o Valor.
Diante do avanço dos preços no mercado externo, o G1 divulgou uma informação de que o governo federal estaria pressionando a Petrobras para segurar os reajustes nos preços dos combustíveis até o final do segundo turno das eleições, agendado para o dia 30 de outubro.
No primeiro semestre, a gasolina e o diesel chegaram a ter uma defasagem de 18,7% e 16%, respectivamente.
Opep+ anuncia redução na oferta de petróleo
Outro fator que deve contribuir para o crescimento nos preços dos combustíveis nas próximas semanas é a redução na oferta de petróleo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+).
A entidade divulgou, ontem, um corte de 2 milhões de barris de óleo por dia (bpd) na oferta global de petróleo. Este fenômeno já fez o barril de petróleo subir.
O Brent subiu ontem 1,99%, sendo vendido a US$ 91,61. Já o barril WTI registrou elevação de 1,46%, sendo negociado a US$ 87,87.
Segundo a CNBC dos Estados Unidos, o corte é uma estratégia do cartel para elevar os preços da commodity, que vem de um viés de baixa desde o mês de junho.
Queda nos preços dos combustíveis no segundo semestre
Com o estouro da Guerra na Ucrânia, os preços do barril de petróleo tipo Brent dispararam, chegando ao patamar de US$ 138 dólares. Contudo, a partir de junho, a commodity iniciou um movimento de queda nos preços.
No Brasil, uma combinação de um cenário mais favorável no exterior e a redução do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) dos combustíveis promoveu quatro cortes nos preços da gasolina, que acumula queda de 19,22%, e três reduções no diesel, com redução acumulada de 12,84%.
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