O Bitcoin hoje (28) perdeu o patamar de US$ 73 mil em uma sessão de forte aversão a risco no mercado cripto. A queda acompanha a escalada das tensões no Oriente Médio, novas saídas dos ETFs spot americanos e a cautela que antecede o PCE, principal indicador de inflação observado pelo Federal Reserve.
Por volta das 12h12, no horário de Brasília, o Bitcoin recuava 2,08%, cotado a US$ 72.769,10, segundo o Google Finance.
Na madrugada, o BTC chegou a testar mínimas perto de US$ 72 mil e já soma três semanas seguidas de pressão vendedora. Para Rony Szuster, head de research do Mercado Bitcoin, o estresse atual nasce do encontro de forças que costumam atuar isoladas e agora apertam o preço ao mesmo tempo.
“O mercado atravessa um momento de maior estresse no curto prazo, pressionado simultaneamente pelo aumento das tensões geopolíticas, deterioração dos fluxos institucionais e receios macroeconômicos ligados à inflação americana”, afirmou Szuster.
ETFs aprofundam queda
Os ETFs spot americanos registraram nova saída líquida de US$ 73,4 milhões, com a retirada concentrada principalmente no fundo da BlackRock (BLK; BLAK34), segundo o Mercado Bitcoin.
O ritmo recente de resgates caminha para zerar todo o saldo positivo acumulado em 2026. Ainda assim, o MB avalia que o movimento se parece mais com uma correção depois da forte recuperação dos meses anteriores do que com uma reversão estrutural.
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Oriente Médio pesa
O estopim da aversão a risco veio da geopolítica. O Irã confirmou ataques contra posições americanas no Kuwait, em resposta às ações militares dos Estados Unidos no sul iraniano. Os disparos foram interceptados sem grandes danos, mas o episódio expôs a fragilidade do cessar-fogo.
A tensão se estende ao Estreito de Ormuz, onde o fluxo diário de embarcações segue abaixo da média histórica, de acordo com o MB. O gargalo mantém em alerta os mercados de petróleo, gás e fertilizantes, alimenta temores inflacionários e respinga nas expectativas para a política monetária americana.
A atenção dos investidores nesta quinta-feira está no PCE. Um número mais forte de inflação reforçaria a tese de que o Fed precisa manter os juros altos por mais tempo, ou até voltar a subi-los, cenário que costuma drenar o apetite por ativos de risco.
As altcoins sofrem ainda mais que o Bitcoin. Ethereum, Solana, XRP e Hyperliquid acumulam perdas próximas ou acima de 4% nas últimas 24 horas, com inteligência artificial, DeFi e memecoins na lanterna.
A Stellar foge da regra e sobe após anunciar parceria com a DTCC, uma das principais infraestruturas do mercado financeiro americano. O acordo prevê o uso da blockchain da Stellar para emitir e negociar ativos tokenizados do mundo real, como ações, ETFs, títulos públicos e papéis corporativos.






