O Bitcoin hoje (27) opera em queda e voltou à faixa de US$ 77,5 mil, em pregão marcado pela cautela antes da decisão de juros do Federal Reserve e pela continuidade das tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã.
Por volta das 12h07, no horário de Brasília, o Bitcoin recuava 1,42%, cotado a US$ 77.547,15, após devolver parte dos ganhos do fim de semana e testar máximas acima de US$ 79 mil nas primeiras horas do dia.
A queda combina três fatores:
- desaceleração do fluxo institucional via ETFs,
- expectativa pela última reunião do Fed sob a liderança de Jerome Powell e
- novas tentativas de mediação diplomática no Oriente Médio.
Bitcoin hoje sob pressão institucional
No campo institucional, os ETFs de Bitcoin listados nos Estados Unidos registraram entradas líquidas de US$ 14,4 milhões no pregão de sexta-feira (24), volume bem abaixo da média recente e que sinaliza desaceleração na alocação por veículos regulados.
Apesar do recuo, a principal criptomoeda do mercado segue próxima das máximas e sustentada por compras estruturais. Segundo a Mercado Bitcoin, exchange brasileira de criptoativos, investidores de longo prazo adicionaram cerca de 17,3 mil BTC às posições durante o fim de semana — movimento típico de fases em que o varejo recua e wallets com histórico superior a 155 dias absorvem oferta.
“O mercado de criptoativos inicia a semana em leve correção, com fluxo institucional mais moderado e aumento das incertezas geopolíticas. O Bitcoin segue resiliente, sustentado por acumulação de longo prazo, mesmo em um ambiente de menor momentum, com investidores institucionais operando de forma mais seletiva na véspera de eventos macro decisivos”, afirmou Rony Szuster, head de Research da Mercado Bitcoin.
Altcoins acompanham o recuo
Entre as principais criptomoedas alternativas, o Ethereum caía 0,6%, enquanto XRP recuava 1,1% e Solana perdia 1,5%, refletindo menor apetite ao risco e alta correlação com o Bitcoin.
Na avaliação da Mercado Bitcoin, o ambiente atual mostra “compressão de beta”, fenômeno em que ativos de maior risco deixam de superar o desempenho do Bitcoin em momentos de incerteza, contrariando a dinâmica habitual de altcoins amplificarem os movimentos da principal cripto.
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Decisão do Fed na quarta
O principal evento da semana para os mercados globais será a reunião do FOMC, marcada para quarta-feira (29), a última sob liderança de Jerome Powell, cujo mandato à frente do Fed se encerra em maio. A expectativa majoritária é de manutenção dos juros nos Estados Unidos, com atenção do mercado voltada à comunicação sobre o ritmo de cortes em 2026.
No campo geopolítico, o mercado segue atento aos desdobramentos diplomáticos no Oriente Médio, após novas tentativas de mediação envolvendo Irã, Paquistão e Rússia em torno do programa nuclear iraniano e das sanções norte-americanas reativadas no início do ano.
Com o cenário macro carregado e o fluxo dos ETFs em desaceleração, a sustentação do Bitcoin no curto prazo dependerá da continuidade das compras por wallets de longo prazo, que vêm absorvendo a oferta ao longo de toda a correção.






