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Ação no STF pode destravar bilhões para teles e elevar dividendos; veja como

Ação no STF pode destravar bilhões para teles e elevar dividendos; veja como

Uma decisão favorável do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre as taxas do Fistel pode liberar bilhões de reais no caixa das operadoras

Uma decisão favorável do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre as taxas do Fistel pode liberar bilhões de reais no caixa das operadoras de telecomunicações e abrir espaço para aumento significativo na distribuição de dividendos, segundo avaliação do BTG Pactual (BPAC11). O julgamento, ainda sem data definida, envolve a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 7.787), que questiona a legalidade das cobranças.

Desde 2020, empresasa como Vivo (VIVT3), TIM (TIMS3) e Claro deixaram de pagar cerca de R$ 13 bilhões em taxas ao setor regulador, amparadas por decisão judicial. Apesar disso, os valores foram integralmente provisionados nos balanços.

Caso o STF decida que as cobranças são inconstitucionais, essas empresas poderão reverter as provisões, impulsionando o lucro líquido e fortalecendo a capacidade de remuneração aos acionistas. Estimativas indicam que apenas a Vivo acumula R$ 6,2 bilhões em valores não pagos, enquanto a TIM soma R$ 4,3 bilhões — montantes relevantes em relação ao valor de mercado das companhias.

O debate gira em torno do Fistel, fundo criado para financiar a fiscalização do setor de telecomunicações. As operadoras contestam principalmente a TFI (Taxa de Fiscalização de Instalação) e a TFF (Taxa de Fiscalização de Funcionamento), argumentando que os valores cobrados são desproporcionais ao serviço prestado e não atendem aos critérios constitucionais.

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Dados da Anatel

Dados da Anatel reforçam essa tese. Apenas 7% da arrecadação do Fistel é destinada à própria agência, enquanto cerca de 46% vai para o Tesouro Nacional. Além disso, a cobrança é feita por terminal, mesmo sem fiscalização individualizada — ponto central da contestação.

Há três cenários possíveis no julgamento: a rejeição total da ação, obrigando o pagamento retroativo; uma decisão intermediária, com revisão da metodologia de cobrança; ou o reconhecimento integral da inconstitucionalidade das taxas. Este último cenário, embora mais favorável às empresas, teria impacto relevante nas contas públicas, já que o Fistel gera bilhões em arrecadação anual.

Enquanto o caso segue em análise, o mercado trabalha com a hipótese de uma solução intermediária, que reduza o peso das taxas sem eliminá-las completamente — o que já seria suficiente para destravar valor relevante para o setor.