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A política de preços da Petrobras voltou às mãos do governo?

A política de preços da Petrobras voltou às mãos do governo?

As principais questões agora são se a estatal aumentará os preços após as eleições e se o governo manterá os mecanismos de subsídio

A política de preços dos combustíveis da Petrobras (PETR3; PETR4) está de novo no centro do debate após a estatal voltar atrás, em menos de 24 horas, de um aumento da gasolina nesta semana, que já havia sido anunciado ao mercado.

O governo anunciou que deixaria de prorrogar a subvenção de R$ 0,44 por litro de gasolina, que venceria, e que passaria a implementar a desoneração de R$ 0,63 em PIS/Cofins.

A diferença é de R$ 0,19, exatamente o valor do reajuste que a Petrobras chegou a dizer que repassaria para as distribuidoras.

“Diferentemente do informado anteriormente, a alteração no preço da gasolina da Petrobras nos pontos de venda corresponderá apenas à suspensão do desconto. Para as distribuidoras, o efeito será de redução de R$ 0,19 no preço percebido com tributos”, informou a Petrobras por meio de nota.

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Impacto no balanço

Nos cálculos dos analistas do Bradesco BBI Vicente Falanga e Ricardo França, deixar de capturar o reajuste significa um montante de US$ 600 milhões que poderiam ser agregados ao fluxo de caixa anualizado.

“A reversão do aumento do preço da gasolina, na ausência de uma justificativa de negócios claramente comunicada, pode ser vista como menos favorável à previsibilidade da governança e poderia reforçar as preocupações dos investidores em relação à consistência e independência dos processos de decisão de precificação”, alertam os analistas Monique Martins Greco Natal, Eric de Mello e Eduardo Mendes, do Itaú BBA.

Ao mesmo tempo, o governo autorizou um subsídio adicional ao diesel de até R$ 1 por litro, o que poderia proporcionar um potencial de ganhos relevante, dependendo da regulamentação final e da parcela a ser capturada pela Petrobras.

“Acreditamos que a administração continua atuando em estreita coordenação com o governo para preservar uma rentabilidade adequada e, ao mesmo tempo, limitar o impacto dos preços internacionais sobre os consumidores, embora isso reduza necessariamente a previsibilidade das decisões comerciais”, ressaltam os analistas Rodrigo Almeida e Gustavo Cunha, do BTG Pactual.

E depois das eleições?

Segundo o BTG, as principais questões agora são se a Petrobras aumentará os preços dos combustíveis após as eleições em novembro e se o governo manterá os mecanismos de subsídio durante o período eleitoral.

“Acreditamos que um ajuste de preços no pós-eleição é possível, mas não o incorporamos ao nosso cenário-base”, argumentam Almeida e Cunha.

Eles escolheram, contudo, manter premissas conservadoras de preços normalizados de combustíveis, reconhecendo que é pouco provável que a Petrobras pratique consistentemente preços de paridade de importação.

“Para 2027, consideramos razoável assumir preços de combustíveis semelhantes aos níveis atuais, independentemente do que o *crack spread* indique”, opinam.

Ou seja, mesmo com *crack spreads* elevados, a probabilidade de a Petrobras seguir rigorosamente a paridade de importação é relativamente limitada.

“Por isso, adotamos cautela ao presumir que um cenário de *crack spreads* altos se traduzirá em preços realizados elevados para a Petrobras, visto que a empresa ajusta seus preços em sintonia com os valores internacionais apenas de forma imprecisa”, pondera o BTG.

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